A investigação da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelou uma série de episódios que vão de repasses milionários a empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) até o uso de um grupo acusado de monitorar e pressionar desafetos do empresário.

Os elementos constam dos relatórios da Operação Compliance Zero, em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), e sustentam suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

PF aponta repasses de R$ 6 milhões a empresas ligadas a Ciro

Segundo a investigação, Vorcaro autorizou pagamentos mensais a empresas vinculadas à família de Ciro Nogueira entre junho de 2024 e agosto de 2025.

Mensagens encontradas pela PF mostram conversas sobre uma parceria entre a BRGD, ligada à família Vorcaro, e a CNLF, empresa da família do senador. Os valores teriam começado em R$ 300 mil por mês e chegado a R$ 500 mil mensais.

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro durante viagem de 13 dias aos Alpes Franceses em janeiro do ano passado | Foto: Reprodução/X/ @guitodeschini

A Procuradoria-Geral da República estima que os repasses somaram pelo menos R$ 6 milhões no período.

Os investigadores também identificaram depósitos em espécie, registros internos com referências a pagamentos destinados a Ciro. Além de uma operação societária considerada atípica envolvendo a Green Investimentos.

Segundo a PF, uma empresa ligada à família do senador adquiriu participação avaliada em cerca de R$ 12,9 milhões por apenas R$ 1 milhão.

Grupo conhecido como ‘A Turma’ atuava em favor de Vorcaro

Outro eixo da investigação trata da atuação de um grupo chamado “A Turma”. Segundo a PF, essa estrutura era usada para monitorar e intimidar adversários de Vorcaro. O grupo também obtinha informações sobre pessoas relacionadas às investigações do Banco Master.

Entre os integrantes citados aparece Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu em março deste ano depois de ser preso em uma fase da operação.

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Mensagens apreendidas mostram que, em fevereiro de 2025, Vorcaro encaminhou a Mourão o telefone e o nome de uma mulher identificada como ex-funcionária da atriz Monique Alfradique.

Na conversa, o empresário escreveu: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. Em seguida, determinou que o grupo levantasse o endereço e outros dados da mulher.

A PF registrou o episódio como uma ordem para a prática de violência contra a funcionária.

Os documentos também revelam que Vorcaro acionou Sicário para tentar recuperar a conta de Instagram de Monique Alfradique, invadida por golpistas em 2024.

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Nas mensagens, “Sicário” afirma que integrantes de “A Turma” estavam em contato com os responsáveis pelo golpe e que iriam “atrás de um por um”. A PF destaca que Mourão aparentava ter acesso direto ou indireto aos criminosos que controlavam o perfil da atriz.

PF aponta tentativa de contato com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet

Outro relatório afirma que Vorcaro orientou um interlocutor a procurar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, antes de uma das fases da operação.

Segundo a PF, o objetivo seria evitar o que o empresário classificou como “alguma sacanagem” por parte de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

https://www.youtube.com/watch?v=s-t96AQZuM8

Os investigadores afirmam ainda que Vorcaro demonstrava conhecimento antecipado de medidas sigilosas da investigação. Dois dias antes de sua prisão, ele já sabia da existência do procedimento no Ministério Público Federal. Ele também conhecia a identidade do juiz responsável pelo caso e a vara onde tramitavam os pedidos cautelares.

Para a PF, o conjunto de mensagens reforça a suspeita de que o empresário teve acesso privilegiado a informações da operação e chegou a se preparar para uma eventual fuga.

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Fonte: Revista Oeste · Por Victória Batalha