O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou ao radar das investigações criminais da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero por suspeitas de receber vantagens financeiras ilegais. Os investigadores apontam que o líder do governo Lula no Senado ganhou um apartamento de R$ 2,4 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A apuração revela ainda que o petista utilizava jatos particulares do banqueiro e recebia repasses por meio da empresa da esposa de seu enteado, Bonnie Bonilha.
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O novo escândalo reacende o histórico do parlamentar com os órgãos de controle. O ex-governador da Bahia acumula uma extensa ficha de acusações que remonta ao ano de 2017, quando os principais executivos da empreiteira Odebrecht fecharam acordos de delação premiada na Operação Lava Jato. Os depoimentos da época já detalhavam a proximidade do político com esquemas de favorecimento a grupos empresariais.
Delatores revelaram propina e presentes de luxo
Marcelo Odebrecht e o executivo Carlos José Fadigas de Souza Filho confessaram aos procuradores que Jaques Wagner cobrou US$ 12 milhões para sua campanha de reeleição ao governo baiano em 2010. Segundo eles, o petista garantiu em troca benefícios fiscais bilionários ligados ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as indústrias da construtora. O diretor Cláudio Melo Filho confirmou os repasses e revelou que o político também ganhou dois relógios de luxo de presente, avaliados em US$ 24 mil no total.
A relação financeira oculta continuou nas eleições subsequentes de 2014. Os delatores da empreiteira narraram que a liberação de mais R$ 10 milhões para o caixa do Partido dos Trabalhadores ficou condicionada à quitação de uma dívida estatal com a Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (CERB). Logo que o governo Wagner liberou o pagamento de R$ 60 milhões para a empreiteira, o dinheiro da propina foi depositado para os aliados do petista.
Codinomes mudavam nas planilhas do departamento de propinas
O avanço das apurações na década passada trouxe a público o funcionamento do setor de contabilidade paralela da Odebrecht. Os documentos apreendidos revelaram que os operadores trocavam os apelidos das autoridades de acordo com o ano e a empresa do grupo que efetuava o pagamento. Jaques Wagner, que também exerceu o cargo de ministro da Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff, era identificado pelos deltadores sob as alcunhas de "Passivo" e "Polo".
As planilhas secretas do grupo continham também codinomes para outros caciques do Congresso Nacional que dividiam o balanço das fraudes. O ex-senador Romero Jucá (PMDB-RR) figurava nos registros oficiais da Lava Jato como "Cacique" e "Caju". As menções à Wagner na Lava Jato, no entanto, nunca foram adiante. Um dos casos que tramitava na Justiça Federal foi encerrado no ano passado.
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Fonte: Revista Oeste · Por Erich Mafra