一本の木を植える者は、百年後の人々のために働く。

Quem planta uma árvore trabalha para as pessoas de daqui a cem anos.

O Dia Nacional da Imigração Japonesa é celebrado em 18 de junho. A data homenageia a chegada do navio Kasato Maru, após 52 dias de viagem, ao Porto de Santos em 1908. Ele trouxe os primeiros 781 imigrantes japoneses para trabalhar nas lavouras paulistas de café. Foi o início de uma história de integração entre brasileiros e japoneses, cujas raízes diplomáticas remontavam ao século XIX. Poucas correntes migratórias deixaram marcas tão profundas na agricultura, no cooperativismo e na própria formação do Brasil contemporâneo quanto a imigração japonesa.

Durante o Império do Brasil, em repetidas manifestações, a princesa Isabel indicou a vinda de trabalhadores estrangeiros como forma de fortalecer o abolicionismo (com mão de obra livre) e a criação de uma nova agricultura, baseada também em pequenos proprietários estabelecidos em colônias agrícolas, ao lado das grandes propriedades de cana, café e pecuária.

Por iniciativa de D. Pedro II, o Brasil iniciou negociações com o Império do Japão, por intermédio do vice-almirante Artur Silveira da Mota, futuro Barão de Jaceguai, para a vinda de imigrantes japoneses. Foram longas tratativas até o acordo final. A primeira visita oficial para esse acordo diplomático e comercial ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro daquele ano, o vice-almirante Artur Silveira da Mota, mais tarde Barão de Jaceguai, iniciou, em Tóquio, as conversações para estabelecer um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. O esforço prosseguiu em 1882 com o ministro plenipotenciário Eduardo Calado.

Em 1894, o Japão enviou o deputado Tadashi Nemoto para uma visita aos Estados da Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O Brasil reunia condições favoráveis para acolher imigrantes japoneses. Ele o recomendou ao governo e às empresas de emigração do Japão.

Ele recomendou ao governo japonês e às empresas de emigração considerar o Brasil apto a acolher imigrantes nipônicos. O acordo foi concretizado no dia 5 de novembro de 1895, em Paris. Brasil e Japão assinaram o Tratado da Amizade, Comércio e Navegação. Em 1907, o governo brasileiro publicou a Lei da Imigração e Colonização. Ela permitiu a cada Estado definir como receber e instalar os imigrantes.

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Ryu Mizuno, empresário japonês, viu no Brasil uma oportunidade para contribuir com a recuperação econômica de famílias japonesas, tão afetadas pela Guerra Russo-Japonesa. Em novembro de 1907, ele fechou um acordo com o secretário da Agricultura de São Paulo, Carlos Arruda Botelho, para trazer três mil imigrantes japoneses, num período de três anos. O acordo atendia o Brasil (necessitado de mão de obra) e o Japão (com excedente populacional). Em 28 de abril de 1908, o navio Kasato Maru deixou o Japão com os primeiros imigrantes rumo ao Brasil. A maioria destinou-se a fazendas de café no interior de São Paulo. Essas regiões ainda hoje concentram importantes polos agrícolas da comunidade nipo-brasileira.

O movimento migratório prosseguiu. O Brasil possui a maior comunidade nipodescendente fora do Japão, com cerca de dois milhões de pessoas. Essa comunidade foi fundamental na modernização da agropecuária brasileira.

A imigração japonesa transformou profundamente a agricultura brasileira ao introduzir novas técnicas, culturas e uma forte tradição cooperativista. Ela foi fundamental para o cultivo de hortaliças, chá e frutas no Brasil. Entre as culturas introduzidas ou difundidas pelos japoneses destacam-se: pimenta-do-reino, caqui, kiwi, poncã, mexerica, morango, maçã Fuji, soja, chá verde, nabo, rabanete, acelga e broto de bambu. Os japoneses criaram cinturões verdes, como os polos hortifrutigranjeiros ao redor de São Paulo e Campinas, e garantiram o abastecimento de verduras e legumes frescos.

Na inovação tecnológica, os japoneses foram pioneiros no uso em escala de adubação química, controle de pragas, seleção de sementes, irrigação e o cultivo em estufas. O interior paulista, sobretudo o entorno de Campinas, serviu como laboratório para essas inovações. Mogi das Cruzes e Atibaia consolidaram-se como importantes polos produtores de flores, caqui e morango no estado de São Paulo, sob a liderança de famílias nipônicas. A introdução de técnicas de estaqueamento e tutoramento do tomateiro elevou drasticamente a produtividade regional. Os descendentes de japoneses continuam inovando no manejo das lavouras, com iniciativas como o Projeto Yamakawa, voltado à biologia dos solos.

Na Amazônia, a imigração japonesa começou em 1929, em Tomé-Açu, no Pará. Ela revolucionou a agricultura local ao transformar a região de uma economia puramente extrativista em uma potência agrícola sustentável. Uma das maiores referências vivas dessa história é o produtor Michinori Konagano. Ele chegou ao Pará com apenas dois anos de idade e vivenciou toda a transformação do agro paraense: do Ciclo da Pimenta-do-Reino ao Açaí e ao nascimento do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA). No açaí, antes puramente extrativista e consumido localmente, a planta passou a ser domesticada e cultivada comercialmente em sistemas consorciados.

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No sistema de Michinori, em vez de desmatar a floresta para plantar uma única cultura, o solo é aproveitado em camadas. Planta-se a pimenta-do-reino consorciada com culturas de ciclo rápido (arroz, feijão), médio (cacau, cupuaçu) e de ciclo longo e alto porte, como açaí e madeiras nobres. O sistema protege o solo contra pragas, dispensa a derrubada de novas matas e garante que o produtor tenha renda o ano inteiro, colhendo pimenta em uma época, cacau em outra e açaí na seguinte. Tomé-Açu é considerada a capital mundial da agrofloresta.

Os imigrantes adaptaram ao Brasil o espírito associativo presente nos kaikan, centros comunitários japoneses onde prevalece a ajuda mútua e o senso do bem comum. Esse espírito associativo garantiu aos pequenos produtores força para negociar preços e adquirir insumos em grande escala.

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A Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), fundada em dezembro de 1927 por um grupo de 83 produtores nikkeis, nasceu originalmente como uma cooperativa de produtores de batata. A CAC expandiu suas atividades a outros estados como Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nos anos 1980, chegou a 15 mil associados em 14 estados brasileiros. Embora encerrasse suas atividades em 1994, em decorrência de crises financeiras, a CAC deixou marcas profundas no agronegócio moderno e no associativismo brasileiro. Outro exemplo foi a Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, criada após o sucesso de Cotia, na primeira metade do século XX, focada em organizar os produtores do sul e sudeste do estado de São Paulo.

As cooperativas fundadas por imigrantes japoneses organizaram a produção, a padronização, a embalagem e a distribuição de alimentos em larga escala. Elas revolucionaram o comércio agrícola nacional com seus conceitos de produção coletiva e padronização de alimentos, transformando profundamente a forma como os brasileiros se alimentam.

Neste Dia Nacional da Imigração Japonesa, o Brasil tem razões para agradecer e orgulhar-se desse aporte humano, cultural e agrícola, já incorporado de forma singular à própria formação da nacionalidade brasileira.

乾杯 (Kanpai!) — Saúde!

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Fonte: Revista Oeste · Por Evaristo de Miranda