Cuba virou tema prioritário no segundo mandato de Donald Trump. Desde que voltou à Presidência dos EUA, o republicano apresentou acusações contra integrantes da ditadura cubana e impôs mais sanções contra autoridades, empresas estatais do setor de petróleo e organizações ligadas às Forças Armadas.

O governo norte-americano também reforçou operações militares e de Inteligência no Caribe. Como parte desse esforço, o comandante do Comando Sul, general Francis Donovan, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, realizaram visitas à Base Naval de Guantánamo

Washington avalia que Cuba representa um risco direto aos interesses dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, cita a crise humanitária na ilha, a presença de instalações de Inteligência de países adversários, supostas ligações com organizações terroristas e o avanço da capacidade cubana de operar drones como fatores que configuram ameaças à segurança nacional.

Nesse contexto, quatro cenários ganham força: intervenção humanitária, ação coercitiva limitada, ruptura interna do regime ou negociações.

O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/X

Intervenção humanitária em Cuba

Hoje, o maior desafio enfrentado por Cuba é a crise provocada pela falta de combustível, apagões frequentes, infraestrutura precária, dificuldades no sistema de saúde e crescente escassez de alimentos.

Com a perspectiva de agravamento dessas condições e a possibilidade de eventos climáticos extremos durante o verão, Washington poderia justificar uma atuação voltada à assistência humanitária, sem assumir oficialmente o objetivo de promover uma mudança de regime.

Esse cenário dependeria de uma crise de grandes proporções, capaz de comprometer a capacidade de resposta do governo cubano. Entre os fatores que poderiam desencadear essa situação estão apagões nacionais prolongados, agravamento da crise sanitária, desabastecimento ou manifestações generalizadas.

https://youtu.be/bWYa_uj2Ks0?si=9XOzSKsWw2-iP7hZ

Nesse caso, os EUA tenderiam a coordenar ações com organismos internacionais, entidades religiosas e organizações não governamentais para fornecer ajuda médica e humanitária, enquanto as Forças Armadas norte-americanas dariam suporte logístico, de transporte, comunicação e segurança.

Embora essa alternativa possa aliviar o sofrimento da população e reduzir a pressão migratória sem exigir uma intervenção militar convencional, também apresenta riscos. Havana poderia denunciar a iniciativa norte-americana como violação de sua soberania, o que estimularia reações "nacionalistas" e dificultaria a cooperação internacional.

Ação limitada

O segundo cenário prevê uma ação coercitiva direcionada, por meio de operações militares ou policiais de alcance limitado. O objetivo seria aumentar os custos para a liderança cubana, atingir estruturas consideradas estratégicas e modificar os cálculos do regime, sem recorrer à ocupação de território ou a uma invasão convencional.

A recente acusação formal contra Raúl Castro e outros integrantes da cúpula cubana criou uma base jurídica que poderia ser utilizada para justificar operações semelhantes às realizadas contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Nesse contexto, Washington poderia tentar prender autoridades indiciadas ou realizar ataques pontuais contra instalações de Inteligência, segurança e infraestrutura militar classificadas como ameaças à segurança nacional norte-americana.

https://youtu.be/c2Pq78wVmfw?si=G0nBVG5vpcmBDzUD

Possível ruptura interna

Uma terceira possibilidade é que o aumento da pressão externa provoque divisões dentro do próprio regime. Nesse caso, a estratégia norte-americana não seria provocar um colapso imediato, mas enfraquecer gradualmente a unidade das elites políticas e militares por meio de sanções, pressão econômica, diplomacia pública, diálogo com a sociedade civil e manutenção da possibilidade de novas medidas coercitivas.

Sempre que Havana promove libertações de presos, modifica políticas internas ou aceita dialogar com Washington, surgem riscos de divergências entre setores que defendem a manutenção do modelo atual.

Essas disputas podem ganhar intensidade durante uma futura sucessão política. Raúl Castro, hoje com 95 anos, continua sendo uma figura central, e sua eventual ausência poderá alterar o equilíbrio de poder dentro do Partido Comunista, das Forças Armadas e dos serviços de segurança.

O quarto cenário considera a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Havana e Washington. Ao longo da história, o regime cubano aceitou dialogar em momentos nos quais isso favorecia sua sobrevivência política. Ainda assim, experiências anteriores sugerem que nem mesmo uma pressão intensa garante concessões significativas.

https://youtu.be/1ppCs6CZxDU?si=3IhySHFC0T7PnNJ6

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana