A reabertura das negociações entre Estados Unidos e Irã, que ocorre neste domingo, 21, na Suíça, reflete o esforço internacional para buscar soluções à crise no Oriente Médio. O encontro tem como pano de fundo a recente decisão do governo iraniano de fechar novamente o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo e gás, aumentando as tensões globais.

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O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, que chegou à Europa para liderar a delegação dos EUA, declarou que as prioridades são avançar nas discussões sobre o programa nuclear iraniano e buscar um cessar-fogo efetivo no Líbano. “O foco será fazer progressos na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano", afirmou Vance aos jornalistas. "Esses são os dois principais temas das conversas."

Delegações e contexto das negociações com EUA

A delegação iraniana está representada pelo presidente do Parlamento e chefe das negociações, Mohammad Baqer Qalibaf, pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e pelo presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, conforme informações da televisão estatal do Irã. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também participa das tratativas, acompanhado pelo comandante das Forças Armadas, Asim Munir.

O memorando firmado na última quarta-feira, 17, prevê um prazo de 60 dias para que as partes tentem chegar a um acordo definitivo sobre o programa nuclear do Irã e a possível suspensão das sanções econômicas aplicadas a Teerã. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, alertou que o protocolo negociado com Washington pode ser colocado em risco se as cláusulas não forem implementadas rapidamente, especialmente diante dos confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano.

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Estreito de Ormuz e tensão regional

No sábado 20, o Irã justificou um novo bloqueio do Estreito de Ormuz ao alegar que ataques de Israel em áreas libanesas violam o recente memorando. Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que poderá instituir uma taxa para navegação no estreito caso as negociações não avancem. “Não haverá pedágio no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de sessenta dias, nem depois desse período, a menos que os Estados Unidos decidam implementá-lo se não houver acordo”, escreveu Trump na Truth Social.

Durante o período de guerra, o bloqueio do Estreito de Ormuz afetou o comércio internacional de energia, mas, depois do entendimento entre Washington e Teerã, o tráfego começou a ser retomado. Apesar da retomada diplomática, os combates no Líbano continuam intensos e frequentes.

Cessar-fogo e situação humanitária no Líbano

Um oficial do Exército de Israel informou que as Forças de Defesa receberam ordens do governo para cessar operações militares no sul do Líbano. “As Forças de Defesa de Israel receberam diretrizes atualizadas das autoridades políticas para cessar o fogo”, declarou.

No entanto, segundo a mídia estatal libanesa, ataques aéreos israelenses atingiram cerca de 20 localidades no sábado, o que resultou em mais de 30 mortes, conforme autoridades locais. O Ministério da Saúde do Líbano contabiliza quatro mil mortos desde o início da guerra em dois de março.

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As Forças de Defesa de Israel informaram ainda a morte de mais um soldado, o que elevou para cinco o número de militares israelenses mortos no território libanês desde o anúncio do memorando entre Irã e Estados Unidos. O Hezbollah atribuiu a Israel a responsabilidade por “todas as violações” do cessar-fogo.

Moradores do sul do Líbano relatam medo e incerteza. “Todo mundo está com medo”, disse Fadi Zayat, de Tayr Debba, conforme a AFP. “Voltamos para nossa cidade há poucos dias, mas mantivemos as malas prontas caso seja necessário fugir novamente. Esperamos uma decisão séria para pôr fim a esta guerra e retomar nossas vidas.”

Desde o início do cessar-fogo negociado entre Estados Unidos e Irã em abril, ambos os países mantiveram a trégua, mas as tentativas de paz no Líbano fracassaram. Três acordos chegaram a ser anunciados, porém nenhum deles durou mais do que algumas horas.

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Fonte: Revista Oeste · Por Yasmin Alencar