Quatro homens e um adolescente foram presos, neste sábado, 20, durante uma operação da Polícia Militar na favela de Rio das Pedras, no Itanhangá, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A ação terminou em tiroteio e deixou três bandidos feridos.
Segundo a corporação, o grupo estaria ligado a uma facção criminosa que tenta avançar sobre áreas hoje controladas por milicianos na região. Agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) conduziram a operação e apreenderam dois fuzis, duas pistolas, munições e cinco granadas.
Os confrontos se intensificaram desde a última quinta-feira, 18, quando disparos provocaram mudanças em ao menos dez linhas de ônibus. Criminosos sequestraram um ônibus e o usaram como barricada, além de atravessarem caçambas de lixo na Avenida Engenheiro Souza Filho, principal via da comunidade.
Na sexta-feira 19, novos tiroteios ocorreram e levaram à alteração dos trajetos de 12 linhas municipais por motivos de segurança. A Polícia Civil apura a informação de que a escalada da violência estaria ligada à adesão de nove milicianos locais ao Comando Vermelho (CV), que busca ampliar sua atuação na região há mais de dois anos.
Escalada de disputa territorial no Rio das Pedras
Neste sábado, a operação ocorreu em uma área conhecida como Caranguejo, apontada como esconderijo de integrantes da facção.
Segundo a Polícia Militar, homens armados atacaram os agentes a tiros, que revidaram. Os policiais balearem três suspeitos e prenderam outros dois. As equipes levaram os feridos ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.
As investidas do grupo fazem parte de uma disputa prolongada pelo controle de territórios na zona sudoeste do Rio, especialmente em áreas como Muzema, Gardênia Azul, Tijuquinha, Morro do Banco e Anil, onde há registros recentes de mudanças de controle.
Rio das Pedras tem cerca de 55 mil moradores, segundo o Censo 2022 do IBGE. Estimativas da polícia sugerem que a milícia local arrecada cerca de R$ 2 milhões mensais com atividades ilegais, como internet clandestina, TV a cabo irregular e cobrança de taxas de segurança.
A investigação mostra que a ordem de expansão territorial teria partido de Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como integrante da cúpula da facção e alvo de dezenas de mandados de prisão.
Entre os operadores estariam ainda Carlos da Costa Neves, o Gardenal, e Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW, citados como responsáveis pela atuação armada do grupo.
O governo estadual incluiu a região de Rio das Pedras em um plano de reocupação territorial enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado da Muzema e da Gardênia Azul. O plano ainda não tem data definida para início, mas previa avanço ao longo de 2026.
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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana