A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) continua produzindo repercussões para além dos meios jurídicos e políticos. Na última sexta-feira, 19, um vídeo publicado pelo influenciador conhecido nas redes sociais como Preto de Direita chamou atenção ao traduzir para uma linguagem simples as principais controvérsias levantadas pela defesa do ex-parlamentar.

Pedreiro e criador de conteúdo digital, Preto de Direita acumula mais de 200 mil seguidores no Instagram. Na gravação, produzida em um ambiente cercado por telhas, estruturas de madeira e materiais de construção, o influenciador questionou a participação do ministro Alexandre de Moraes na ação penal que resultou na condenação de Eduardo por coação no curso do processo.

No vídeo, o influenciador afirmou não compreender como um magistrado que teria sido alvo das condutas atribuídas ao réu poderia atuar simultaneamente como relator e julgador do caso. A crítica é apresentada em termos populares, sem referências a dispositivos legais nem argumentos técnicos. “Ele abre a investigação, é o relator e vai julgar a causa”, disse o influencer, referindo-se a Moraes.


Moraes rejeitou argumento de Eduardo

Os advogados de Eduardo argumentaram que Moraes deveria ser declarado impedido de atuar no processo. A alegação era de que o ministro figuraria entre as autoridades atingidas pelas iniciativas atribuídas ao deputado nos Estados Unidos, o que comprometeria sua imparcialidade para conduzir e julgar a ação.

O STF, entretanto, rejeitou esse entendimento. A Corte manteve Moraes na relatoria e no julgamento do caso sob o argumento de que os fatos investigados não configurariam ofensa pessoal ao ministro, mas ações voltadas contra a administração da Justiça e contra as "instituições democráticas". Com base nessa interpretação, os ministros concluíram que não havia impedimento legal para a atuação do magistrado.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro atualmente mora nos EUA com sua família | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o ex-deputado promoveu articulações junto de parlamentares, autoridades e aliados políticos norte-americanos com o objetivo de pressionar o STF e influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na ação relacionada à suposta tentativa de golpe. Para os investigadores, a mobilização incluiu esforços para defender sanções contra autoridades brasileiras, sobretudo contra Moraes, e teria como finalidade constranger o andamento dos processos em curso no Brasil.

A repercussão do vídeo ocorre porque o questionamento formulado pelo influenciador alcançou o debate público. Embora o STF tenha decidido a questão sob o aspecto jurídico, a participação de Moraes continuou sendo alvo de críticas de aliados de Eduardo e de setores da oposição. “Não existe isso em lugar nenhum do mundo”, concluiu o influencer.

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Fonte: Revista Oeste · Por Edilson Salgueiro