A decisão do ex-prefeito de Santo André (SP) Paulo Serra, do PSDB, de desistir da pré-candidatura ao governo de São Paulo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano, anunciada no domingo 21, mexeu com o tabuleiro da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. Mas não foi uma surpresa no ninho tucano.

Serra já havia decidido abandonar a disputa e. nos últimos dias, comunicou a aliados sobre a intenção de concorrer a deputado federal por São Paulo.

Segundo Oeste apurou, o PSDB não tem um “plano B” para substituir o ex-prefeito de Santo André em uma eventual chapa própria. Neste momento, a tendência entre os tucanos é um apoio formal à candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição.

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Paulo Serra, que é presidente do Diretório Estadual do PSDB em São Paulo e vice-presidente nacional da legenda, estaria alinhado à corrente pró-Tarcísio. Uma outra ala do partido trabalha para que o PSDB se mantenha neutro no pleito – liberando os filiados para votarem no candidato de sua preferência.

Integrantes do PSDB paulista descartam qualquer possibilidade de apoio da legenda à pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Nas últimas semanas, interlocutores petistas tentaram uma aproximação com os tucanos, mas não obtiveram êxito.

O anúncio da saída de Paulo Serra da corrida eleitoral em São Paulo foi feito um dia depois de o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) também se retirar da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Com Kataguiri e Serra fora do páreo, a eleição para governador se encaminha para um embate polarizado entre Tarcísio e Haddad. Até o momento, o chefe do Executivo paulista aparece liderando com folga em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto.

Nas eleições estaduais de 2022, o PSDB lançou candidatura própria – o então governador em exercício, Rodrigo Garcia. Ele terminou em terceiro lugar, com 18,4% dos votos, e ficou fora do segundo turno, disputado entre Tarcísio e Haddad. Na rodada final, o PSDB apoiou Tarcísio contra o candidato petista.

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Cidadania incomodado

A reportagem de Oeste também apurou que a desistência de Paulo Serra da eleição para governador não agradou ao Cidadania, partido que integra uma federação com o PSDB. A expectativa do comando da legenda era que a federação tivesse um candidato próprio ao governo do estado.

Em sua justificativa para explicar a desistência da candidatura, Serra alegou que não se tratou de um recuo político, mas da continuidade de um projeto iniciado em Santo André. Ele foi prefeito do município do Grande ABC por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2025.

“Quero levar para o Congresso Nacional aquilo que aprendemos e colocamos em prática ao longo dos últimos anos: planejamento, responsabilidade fiscal, inovação, eficiência administrativa e, acima de tudo, compromisso com as pessoas”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo Serra, a indicação de seu nome até então como pré-candidato ao governo de São Paulo foi recebida com “honra e gratidão”, mas uma avaliação sobre o cenário político do país o fez optar pela disputa por um assento na Câmara dos Deputados.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante entrevista coletiva | Foto: Reprodução/X

O fator Ciro

A pré-candidatura de Paulo Serra ao governo de São Paulo pelo PSDB começou a perder força desde que o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB-CE) recusou o convite da cúpula da legenda para disputar a Presidência da República neste ano. Ciro, que já participou de quatro eleições presidenciais (1998, 2002, 2018 e 2022) optou por manter sua pré-candidatura ao governo do Ceará.

Antes da desistência do ex-ministro, o Diretório Nacional do PSDB avaliava que Ciro, caso concorresse ao Planalto, precisaria ter um palanque em São Paulo. A cúpula tucana ainda discute se lançará o deputado federal Aécio Neves (MG), presidente nacional do partido, à disputa federal. O parlamentar, que já foi candidato em 2014 e chegou ao segundo turno contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), está reticente.

Ao jornal Diário do Grande ABC, Paulo Serra afirmou que o próprio Aécio teria lhe pedido para adiar a candidatura ao governo do estado e trabalhar pela ampliação da bancada de deputados da federação PSDB-Cidadania na Câmara.

Nesta segunda, porém, Aécio adotou um discurso diferente. O líder tucano reiterou que a decisão sobre eventuais apoios a candidatos a cargos majoritários caberá à direção nacional da federação PSDB-Cidadania, da qual ele é presidente.

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Quem é Paulo Serra

Paulo Serra, de 53 anos, nasceu em Santo André. Ele é advogado, economista, professor e foi vereador e prefeito da cidade. Ingressou na política em 2004, ano em que se elegeu para a Câmara Municipal.

Em 2013, depois de dois mandatos como vereador, Serra assumiu a Secretaria de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos de Santo André durante a gestão do então prefeito Carlos Grana, do PT.

Serra, então, foi eleito prefeito em 2016 e reeleito em 2020. Ele governou a cidade durante a pandemia de Covid-19.

Além do PSDB, Paulo Serra teve passagens pelo antigo PFL e pelo PSD.

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Fonte: Revista Oeste · Por Fábio Matos