A pouco mais de um mês da posse na presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), marcada para agosto, Luís Felipe Salomão intensificou as conversas com colegas e passou a ouvir sugestões para a futura administração da Corte. Segundo ministros ouvidos por Oeste em caráter reservado, o magistrado tem trabalhado para ampliar apoios internos e reduzir resistências que acompanharam seu nome nos últimos anos.
Salomão mantém interlocução próxima com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles o ministro Alexandre de Moraes. Essa relação, segundo relatos obtidos pela coluna, esteve entre os fatores que despertavam ressalvas em parte dos magistrados da Corte, preocupados com a preservação da autonomia institucional do STJ.
A avaliação entre os juízes do STJ, contudo, é que, até agora pelo menos, o futuro presidente tem adotado uma postura mais conciliadora na preparação para a gestão. Nas últimas semanas, Salomão intensificou consultas a colegas sobre questões administrativas e institucionais, além de buscar sugestões para áreas consideradas estratégicas do tribunal.
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Um ministro ouvido pela reportagem afirmou que a expectativa em relação à futura gestão é hoje “melhor do que em anos anteriores”. Outro descreveu Salomão como um “magistrado experiente” e avaliou que, até agora, tudo leva a crer que terá uma administração voltada à “construção de consensos e à busca de resultados”.
Momento do Judiciário e resistência a Salomão no STJ
A movimentação ocorre em meio a um período de sensibilidade institucional no Judiciário. O caso Master, por exemplo, pôs Moraes no centro de uma controvérsia depois da revelação de um contrato de R$ 129 milhões envolvendo a mulher do magistrado, a advogada Viviane Barci. Nos bastidores dos tribunais superiores, episódios dessa natureza levantaram receios acerca da relação entre as Cortes e a necessidade de preservar espaços próprios de atuação.
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Embora a resistência ao nome de Salomão tenha diminuído, ela não desapareceu por completo. Ministros afirmam reservadamente que pretendem acompanhar de perto os primeiros movimentos da presidência. A avaliação é que o futuro presidente conseguiu reduzir desconfianças, mas ainda será observado quanto à condução política da Corte e à forma como exercerá sua influência dentro do tribunal.
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Fonte: Revista Oeste · Por Cristyan Costa