O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu adotar uma postura de enfrentamento diante das investigações da Operação Compliance Zero e da pressão para deixar a liderança do governo no Senado. Segundo apuração de Oeste, o petista considera que uma eventual renúncia ao cargo seria interpretada como admissão de culpa e, por isso, não pretende se afastar da função.

Apesar da resistência, interlocutores afirmam que o petista deixaria a liderança caso receba um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma fonte próxima ao senador afirmou a Oeste que Wagner está "combativo" e vê o recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 22, como parte dessa estratégia.

A avaliação do parlamentar é que a Polícia Federal (PF) não conseguirá comprovar as suspeitas levantadas até o momento, especialmente as relacionadas à chamada "Emenda Master". De acordo com o relato, Wagner está convencido de que as investigações não encontrarão elementos capazes de sustentar as acusações de favorecimento ao Banco Master.

O senador também entende que sua atuação no Congresso sobre os temas citados pela PF foi pública e incompatível com os interesses atribuídos a ele pelos investigadores.

Nesta segunda-feira, Wagner apresentou ao STF um recurso para tentar anular a decisão que autorizou mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele. A defesa sustenta que a medida se baseou em premissas equivocadas e pede a revisão da decisão assinada pelo ministro André Mendonça.

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Suposto envolvimento de Wagner com Master amplia desconforto no PT

Jaques Wagner foi um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A PF afirma ter identificado indícios de que o senador atuou em favor dos interesses da instituição, que era controlada por Daniel Vorcaro, em troca de vantagens econômicas.

Parte da suspeita está relacionada justamente ao suposto apoio à proposta que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. A emenda, porém, acabou rejeitada por Plínio Valério (PSDB-AM), que reforçou publicamente que Wagner não tratou do assunto com ele.

Nos bastidores do PT, entretanto, o avanço das investigações provocou desconforto crescente. Segundo apuração de Oeste, dirigentes e aliados de Lula identificam ao menos três problemas políticos decorrentes do caso.

Leia também: "A nova digital do PT no Banco Master", reportagem de Luana Viana publicada na Edição 317 da Revista Oeste

O primeiro é a perda da versão que o partido vinha utilizando para associar adversários ao Master, o que o PT nomeou de "Bolsomaster". O segundo é a proximidade histórica entre Lula e Jaques Wagner, que acaba aproximando o presidente do desgaste político gerado pelas investigações.

Há ainda um terceiro fator: integrantes do petismo avaliam que a manutenção de Wagner na liderança do governo no Senado pode alimentar acusações de proteção política.

Nos bastidores, alguns petistas observam que Lula já permitiu o avanço de investigações envolvendo pessoas próximas, como seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e temem que um tratamento diferente no caso do líder do governo seja explorado pela oposição.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana