O deputado federal e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) defendeu a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em entrevista ao programa Oeste Sem Filtro, nesta segunda-feira, 22, o parlamentar afirmou que a medida pode ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado por meio do compartilhamento de inteligência.

Derrite questionou o argumento de que a classificação feriria a soberania nacional. Segundo ele, facções criminosas já controlam áreas do território brasileiro.

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O ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo citou o Rio de Janeiro como exemplo de regiões onde organizações criminosas impõem regras próprias e desafiam a autoridade do Estado. O deputado relatou casos de famílias que, segundo ele, precisaram abandonar suas casas por causa da atuação de integrantes de facções.

“Quando um criminoso do Comando Vermelho chega para uma menina de 15 ou 16 anos e diz que quer namorar com ela e, se ela não aceitar, ela é assassinada, enquanto a família é obrigada a se mudar ou também corre risco de vida, existe soberania nacional?”, indagou. “Tenho certeza de que não.”

Derrite também descartou a possibilidade de uma operação militar norte-americana em território brasileiro. Segundo ele, os EUA podem colaborar com inteligência e troca de informações, mas não cogitam uma intervenção no país. “Isso é uma mentira”, afirmou o deputado.

Projeto Brasil Seguro

Derrite comentou o projeto Brasil Sem Medo, iniciativa lançada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República. Segundo o deputado, o material divulgado até agora reúne 12 medidas emergenciais, mas não representa a versão final do programa.

O parlamentar do PP defendeu mudanças na política de segurança pública e no sistema de Justiça. Entre as propostas, destacou uma reforma judicial para combater a sensação de impunidade.

Derrite criticou o que chamou de efeito de "porta giratória", quando criminosos deixam a prisão pouco tempo depois de serem detidos. E defendeu a construção de cinco presídios de segurança máxima para separar lideranças de facções criminosas dos demais detentos.

"Em todo país sério do mundo, a prisão existe para punir", afirmou o deputado. "Na ressocialização, nós pensamos depois."

https://youtu.be/ELw3JAdt0JU

Segundo ele, a medida é viável e não exigiria uma parcela significativa do Executivo. Derrite afirmou que o governo federal destina atualmente apenas 0,4% do Orçamento à segurança pública.

“O dobro de quase nada é muito pouco”, disse.

O deputado afirmou que ele e Flávio Bolsonaro visitaram El Salvador para conhecer as medidas adotadas pelo governo local no combate ao crime organizado.

Expectativas de Derrite para as eleições de 2026

Derrite também comentou as eleições de 2026. O deputado disse acreditar que a direita pode conquistar as duas vagas ao Senado Federal em disputa por São Paulo.

Ele citou seu próprio nome, o do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), e o do deputado federal Ricardo Salles (Novo) como possíveis candidatos do campo conservador.

Ao comentar a sucessão presidencial, Derrite defendeu a união da direita. Nesse sentido, declarou apoio a uma eventual chapa formada pelo senador Flávio Bolsonaro e por Tereza Cristina, senadora por Mato Grosso do Sul e que é correligionária dele no Progressistas.

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Fonte: Revista Oeste · Por Pâmela Zacarias