A Polícia Federal (PF) devolveu, nesta semana, as credenciais diplomáticas do agente norte-americano que atua na sede da corporação, em Brasília. O funcionário havia perdido o acesso na semana passada, em meio a um impasse diplomático entre Brasil e Estados Unidos, mas foi autorizado a retomar suas atividades.

A suspensão havia sido determinada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, com base no princípio da reciprocidade. A decisão ocorreu depois de o governo dos EUA exigir a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano.

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Ivo de Carvalho estava envolvido em investigações que levaram à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em solo norte-americano.

Expulsão de Marcelo Ivo, delegado da PF que atuava nos Estados Unidos, provocou reação do governo brasileiro | Foto: Reprodução/Linkedin

Com a retirada das credenciais, o agente dos EUA ficou impedido de acessar a sede da PF e os sistemas de cooperação policial utilizados em operações conjuntas entre os dois países. Segundo Rodrigues, o procedimento adotado seguiu o mesmo padrão aplicado ao delegado brasileiro em atuação no exterior.

A tensão começou a se intensificar há cerca de duas semanas, quando autoridades norte-americanas anunciaram a retirada do servidor brasileiro.

Em publicação na rede social X, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental afirmou que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Sem citar nomes, o órgão acrescentou: “Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.

Outro agente dos EUA precisou deixar o Brasil

A reação brasileira incluiu medidas adicionais além da suspensão temporária das credenciais. Um segundo integrante do governo dos Estados Unidos, identificado como Michael Myers, teve a permanência no Brasil interrompida por determinação do Itamaraty e deixou o país na quarta-feira 23, também sob o argumento de reciprocidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia dito que adotaria medidas equivalentes às impostas pela Casa Branca. Com a devolução das credenciais ao agente norte-americano, o governo brasileiro reduz parcialmente a tensão, embora o episódio evidencie o desgaste recente na cooperação policial entre os dois países.

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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão