O senador Jaques Wagner (PT-BA) quer permanecer na liderança do governo no Senado pelo menos até o início do recesso parlamentar, marcado para 19 de julho. No entanto, o petista enfrenta pressão crescente dentro da base para deixar o cargo desde que se tornou alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).

Segundo apuração de Oeste, essa será a principal mensagem que Wagner pretende levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma conversa esperada para esta quarta-feira, 24.

Embora ainda não haja horário definido nem confirmação oficial do encontro, o senador chegou a Brasília na noite desta terça-feira, 23, para tratar do assunto.

A estratégia do líder do governo é convencer Lula a adiar qualquer decisão sobre sua permanência no cargo até o início do recesso parlamentar. Nos bastidores, aliados afirmam que Wagner considera importante evitar uma mudança imediata, que poderia ser interpretada como reconhecimento das acusações investigadas pela PF.

Desde que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador, integrantes do governo passaram a defender sua substituição na liderança para reduzir os desgastes políticos provocados pelo caso Master.

Interlocutores próximos ao parlamentar relatam, porém, que ele segue convencido de que as investigações não encontrarão provas capazes de sustentar as suspeitas levantadas contra sua atuação.

https://youtu.be/DStRibxs7LE?si=Ell3ccjYtFMRRjUB

Pressão por saída de Jaques Wagner cresce dentro do Planalto

Fontes ouvidas por Oeste afirmam que Wagner entende que qualquer decisão sobre seu futuro deve ser construída diretamente com Lula, aliado político de quase cinco décadas.

Na avaliação do senador, uma saída precipitada fortaleceria o discurso de adversários e ampliaria o impacto político das investigações. Por isso, ele resiste a deixar o posto por iniciativa própria.

Apesar disso, interlocutores afirmam que o petista não pretende confrontar o presidente. Caso Lula peça sua saída, a tendência é que o senador aceite deixar a função.

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O episódio também gerou desconforto dentro do PT. Dirigentes da legenda avaliam reservadamente que o caso cria dificuldades para o governo em um momento de preparação para a disputa eleitoral de 2026.

Entre as preocupações está a proximidade histórica entre Lula e Wagner. Integrantes do partido temem que a oposição use as investigações para tentar associar o presidente às suspeitas envolvendo o Banco Master.

Outro temor é que a manutenção do senador na liderança alimente acusações de proteção política. Nos bastidores, petistas admitem que adversários já exploram esse argumento desde a deflagração da operação.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana