A Polícia Federal (PF) incluiu em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma mensagem atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro para embasar o pedido de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro citou Jaques Wagner, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, como integrantes do governo favoráveis à operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
De acordo com a investigação, em uma conversa reproduzida pela PF, o banqueiro respondeu a um questionamento sobre quais integrantes do governo apoiavam o negócio. A resposta registrada pelos investigadores foi: “Rui, Jaques, Alexandre Silveira”.
Para os investigadores, a mensagem coloca Jaques Wagner entre os apoiadores da operação. O relatório também menciona Rui Costa e Alexandre Silveira entre os nomes citados por Vorcaro.
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A mensagem foi enviada em agosto de 2025, durante as discussões sobre a venda do Banco Master ao BRB. Segundo o Estado de S. Paulo, o banqueiro não detalhou qual seria a atuação de cada um dos nomes mencionados.
Interlocutores com conhecimento das negociações confirmaram ao jornal que Rui Costa e Jaques Wagner eram favoráveis ao negócio por causa da relação que mantinham com o banqueiro Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
PF investiga suposta propina ligada ao negócio
De acordo com as investigações da PF, a principal hipótese é que Jaques Wagner teria recebido uma promessa de vantagem indevida em contrapartida ao seu suporte político à operação
Segundo a investigação, o senador teria recebido benefícios, entre eles um apartamento em Salvador, para atuar nos bastidores em favor do negócio entre o Banco Master e o BRB.
A denúncia ainda passará pelo crivo do STF e não há nenhuma decisão definitiva sobre o caso.
Ao ser questionado, Jaques Wagner declarou que não possui qualquer vínculo com Daniel Vorcaro e ressaltou que não deve responder por diálogos de terceiros.
Alexandre Silveira declarou que não tem conhecimento nem participação em iniciativas relacionadas à aprovação da operação. Rui Costa não se manifestou.
Rede de apoio ao Banco Master
De acordo com a PF, Vorcaro acreditava contar com apoio político em diferentes setores para viabilizar a aprovação da operação pelo Banco Central.
Os investigadores sustentam que o banqueiro enxergava respaldo tanto em integrantes do governo quanto em membros de órgãos de controle. Na avaliação da PF, esse apoio seria fundamental para garantir o avanço do negócio.
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O relatório também registra que Vorcaro via resistência dentro da equipe econômica. Segundo a investigação, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mantinha posição contrária à operação e demonstrava preocupação com os riscos do negócio para o banco estatal.
A suspeita de que Jaques Wagner teria recebido vantagens em troca de apoio político é uma das principais novidades reveladas pela Polícia Federal. O caso ainda depende de análise e julgamento no STF.
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Fonte: Revista Oeste · Por Victória Batalha