O avanço das apostas ilegais no Brasil já representa quase metade do mercado de jogos, segundo levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias. O presidente da entidade, o advogado Plínio Lemos Jorge, declarou ao jornal Folha de S.Paulo que não se surpreendeu com a recente prisão de mais de 30 envolvidos, incluindo o cantor MC Ryan SP, sob suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato digital.
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De acordo com Plínio, as apostas clandestinas podem corresponder a 40% ou até 50% do setor nacional. Considerando que operadoras licenciadas registraram rendimento bruto de R$ 37 bilhões em 2025, o segmento não regularizado pode movimentar pelo menos R$ 29,6 bilhões. Ele ressaltou que qualquer empresa sem credenciamento oficial é vista como potencial participante do crime organizado, especialmente diante do número elevado de fraudes.
As consequências das operações policiais e a regulamentação das bets no cenário nacional
Operações policiais como a Narco Fluxo têm evidenciado o uso de plataformas de apostas pelo crime organizado, e a Polícia Federal já anunciou futuras investigações. "Esse é o tema do qual mais falamos nos últimos dois anos, é o tema em que a gente concentra esforços”, afirmou Plínio. Para ele, a origem dos desafios do setor regulado está ligada ao impacto das bets ilegais.
Pesquisas de mercado apontam que, por momentos, o volume das apostas não regulamentadas superou o das regulares. Um estudo da Yield Sec no segundo trimestre do ano passado identificou esse cenário, o que Plínio considera plausível, ainda que sejam apenas estimativas, já que o mercado ilegal é difícil de mensurar com precisão. “Essas pesquisas chegam muito próximo do que a gente está imaginando”, explicou, ao citar ainda um levantamento da H2 Gambling Capital, que apontou taxa mais baixa, próxima de 30%.
Medidas de combate e prevenção à lavagem de dinheiro
A respeito do envolvimento de sites de apostas com o crime organizado, Plínio destacou que, em 2025, a Anatel bloqueou 30 mil páginas e, neste ano, outros 8 mil sites foram retirados do ar. Ele lembrou que apenas o bloqueio digital não basta e que o combate inclui impedir que meios de pagamento sejam utilizados. “Já estamos com uns 300 meios de pagamento em vias de serem bloqueados”, disse.
Sobre prevenção à lavagem de dinheiro, Plínio explicou que as empresas licenciadas seguem normas da Secretaria de Prêmios e Apostas, incluindo identificação facial, verificação de documentos e monitoramento das movimentações dos usuários. “Qualquer padrão fora do normal acende um alerta, e imediatamente avisamos o Coaf”, explicou. Se houver indício de lavagem, o apostador é bloqueado e excluído da plataforma.
Regulação, fiscalização e desafios para o setor
Questionado sobre a permanência de empresas investigadas, como a Esportes da Sorte, na associação, Plínio esclareceu: “Nosso estatuto tem um requisito: tem que ter licença federal. Nós não aceitamos licença estadual por um requisito do nosso estatuto de criação. Se não tiver licença federal, a empresa é descredenciada da associação”.
Plínio afirmou também que a ANJL não investiga empresas associadas, cabendo à Secretaria de Prêmios e Apostas avaliar a concessão e manutenção das licenças.
Conscientização e cenário econômico das apostas
No início do mês, a ANJL lançou, em parceria com o Ministério do Esporte, uma campanha de conscientização sobre manipulação de resultados. Segundo Plínio, a educação é o caminho para combater fraudes, pois muitas manipulações envolvem informações privilegiadas obtidas de forma informal. Ele destacou a importância de informar jovens sobre os riscos e ilegalidade dessas práticas.
Diante do crescimento das ações policiais, Plínio avaliou que novas restrições ou aumento da tributação poderiam dificultar ainda mais a competitividade das empresas regulares frente ao mercado ilegal. “A tributação já está difícil para as operadoras médias e pequenas, vai ficar mais ainda. O que isso faz? Migra o apostador para o mercado ilegal”, explicou.
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Fonte: Revista Oeste · Por Yasmin Alencar