Em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, o preço do petróleo voltou a subir nesta segunda-feira, 4. Perspectivas de um acordo para encerrar a guerra seguem distantes, o que amplia a volatilidade do setor energético global.
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Pela manhã, por volta das 8h10, o contrato futuro do barril WTI para junho registrava alta de 3,35%, cotado em US$ 105,35. Paralelamente, o Brent para julho subia 3,57%, alcançando US$ 112,03, e chegou à máxima de US$ 113,97, aproximando-se dos US$ 114.
Na sexta-feira 1º, ambos os contratos encerraram em queda: o WTI para junho recuou 2,98%, e fechou em US$ 101,94, enquanto o Brent para julho caiu 2,02%, cotado a US$ 118,17. Ainda assim, na semana anterior, o petróleo atingiu o maior valor em quatro anos, superando US$ 126 por barril.
Tensão militar no Estreito de Ormuz
O início da semana foi marcado por relatos da agência iraniana Fars de que dois mísseis atingiram um navio de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz. Segundo a agência, o navio teria ignorado alertas da Marinha iraniana e, depois de ser atingido, precisou recuar e deixar a área.
O Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito, é considerado estratégico para a economia internacional, dada sua localização entre Irã e Emirados Árabes Unidos.
Negociações diplomáticas e operação dos EUA
No campo diplomático, autoridades iranianas informaram no domingo 3, que os EUA responderam à proposta de paz encaminhada pelo Irã, mediada pelo Paquistão, para buscar o fim do conflito iniciado em 28 de fevereiro. O teor da resposta norte-americana, porém, não foi divulgado.
A proposta iraniana, enviada na sexta-feira, contém 14 pontos, inclusive o fim das hostilidades, reabertura do Estreito de Ormuz e suspensão do bloqueio a portos do Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou reservas quanto ao texto do acordo.
O documento sugere ainda que debates sobre o programa nuclear iraniano, justificativa dos EUA para o início da guerra, ocorram em momento posterior, segundo o governo de Teerã.
Trump anunciou uma operação para escoltar navios retidos no Estreito de Ormuz, e atendeu a pedidos de países neutros que tiveram embarcações presas na região. “Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente", afirmou Trump na Truth Social. "Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança.”
Trump classificou a ação como “Projeto Liberdade” e ressaltou o caráter humanitário, ao citar dificuldades enfrentadas por tripulações, como falta de alimentos. Acrescentou que, apesar de negociações em curso com o Irã, a operação será realizada independentemente dos diálogos.
Medidas da Opep+ para estabilizar o mercado
No domingo, sete países da Opep+ anunciaram aumento de 188 mil barris por dia em suas cotas já a partir de junho, com o objetivo de garantir a estabilidade do mercado. Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã firmaram o compromisso.
No mês anterior, a Opep+ já havia promovido acréscimo de 206 mil barris diários, incluindo participação dos Emirados Árabes Unidos. A decisão ocorre em cenário de incerteza, impulsionado pela guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que elevaram os preços do petróleo.
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Fonte: Revista Oeste · Por Yasmin Alencar