O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá na próxima quinta-feira, 7, com Donald Trump, em Washington, em um momento diplomático marcado por divergências entre os dois líderes, que, no entanto, têm mantido, pelo menos publicamente, um canal de diálogo. Lula embarcará nesta quarta-feira, 6, para os Estados Unidos.

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O último encontro entre ambos ocorreu em outubro de 2025, em Kuala Lumpur, Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático. Os dois voltaram a conversar por telefone em janeiro de 2026, durante cerca de 50 minutos. Segundo o governo brasileiro, trataram da situação na Venezuela - depois da captura do então ditador Nicolás Maduro -, da situação na Faixa de Gaza e da cooperação no combate ao crime organizado.

A reunião desta semana ocorre depois de críticas públicas de Lula à política externa do presidente dos EUA. O presidente brasileiro afirmou que Trump não tem o direito de “acordar de manhã e ameaçar um país”, ao comentar declarações do governo norte-americano sobre outros Estados.

Em abril deste ano, durante visita a Lisboa, Lula também ironizou a possibilidade de Trump receber o Prêmio Nobel da Paz, algo que o norte-americano já admitiu almejar. O presidente brasileiro declarou: “É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o Trump para a gente não ter mais guerra", disse, referindo-se à guerra dos EUA e Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro. "Aí a gente vai viver em paz tranquilamente.”

A pauta da reunião deve incluir comércio entre os dois países, segurança pública e temas internacionais. Entre os assuntos mencionados por integrantes do governo brasileiro estão tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, a questão venezuelana e a cooperação em áreas ligadas a minerais estratégicos, as terras raras.

No último encontro, na Malásia, Lula solicitou a suspensão temporária do tarifaço de 40% a 50% enquanto as negociações técnicas ocorressem. Donald Trump havia anunciado o aumento de tarifas contra o Brasil, em julho de 2025. Em uma carta endereçada a Lula, Trump informou que a alíquota subiria para 50% (composta por uma taxa base de 10% aplicada em abril e um adicional de 40%), entrando em vigor em agosto.

Na carta do anúncio, Trump citou o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando-o como vítima de uma "caça às bruxas". Ele vinculou as tarifas à necessidade de interromper o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Em agosto, o STF determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro. Em novembro, a domiciliar foi convertida em preventiva. Bolsonaro já havia sido condenado em setembro.

A prisão, porém, não gerou maiores represálias dos EUA. Houve o início de um processo de diálogo entre Lula e Trump, que se encontraram rapidamente durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e depois se reuniram na Malásia, de forma oficial.

Foi quando Lula solicitou a redução das tarifas. Trump deu aval para o início de negociações lideradas pelo Secretário de Estado Marco Rubio e membros da equipe econômica brasileira, no caso o vice-presidente Geraldo Alckmin (então também Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na prática, no entanto, as negociações não chegaram a um acordo.

Lula e Trump falarão sobre segurança

Neste momento de fragilidade interna, Lula quer mostrar interlocução direta com o governo norte-americano, para tentar superar tensões diplomáticas recentes. O encontro também pode ser apresentado como tentativa de tratar de tarifas que afetam exportações brasileiras e de discutir cooperação em segurança.

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A situação na área de segurança reflete o atual perfil das relações entre ambos. Lula tem resistido a algumas exigências do governo norte-americano, como a de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Mas tem adotado uma postura de cooperação pragmática com os EUA para combate ao crime organizado transnacional.

Em abril último, os governos firmaram a Ação Brasil-EUA contra o crime organizado. O objetivo é o compartilhamento de dados alfandegários, o Projeto MIT (Equipe de Interdição Mútua, na sigla em inglês) para interceptar armas e drogas antes que saiam dos EUA rumo ao Brasil.

A viagem ocorre depois de decisões recentes do Congresso brasileiro. Na última semana, em dois reveses para o governo brasileiro, parlamentares rejeitaram a indicação de Jorge Messias ao STF e derrubaram o veto presidencial ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que reduz as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky