Apex (traduzido no Brasil por O Jogo do Predador) é o típico filme da Netflix. Tem muita ação, muito barulho - e no final deixa um gosto de vazio.
O filme começa numa montanha da Noruega, onde Sasha (Charlize Theron) e seu marido Tommy (Eric Bana) praticam uma escalada impossível no meio de uma tempestade. Não podia dar certo. Sasha é viciada em adrenalina, não respeita o bom senso do marido - que previsivelmente despenca para a morte.
Cinco meses depois Sacha quer mais adrenalina. E entra sozinha por uma região selvagem da Austrália. "Volta para casa, Sacha", pensam os espectadores. Mas Sacha não nos ouve e se enfia em trilhas cada vez mais isoladas e sinistras. Ela então encontra Ben (Taron Egerton), um carinha aparentemente solidário que se propõe a viajar com ela. Sacha não quer saber e prossegue seu caminho solitário entre escaladas e corredeiras furiosas.
Mais adiante, eles se reencontram. E Ben se revela um psicopata caçador de humanos, que escolhe ao acaso. O resto do filme mostra Ben maltratando Sacha até que ela... É um filme vazio, que termina com aquele sabor de "perdi uma hora e meia na minha vida". Provavelmente teremos, de algum jeito, uma continuação.
Por outro lado, Charlize Theron e Taron Egerton são excelentes atores. Theron curte fazer filmes de extrema violência, e quem quiser ter um exemplo disso pode assistir ao incendiário Atomic Blonde, de 2017. Egerton faz qualquer coisa com competência - da comédia/ação na série Kingsman à encarnação de Elton John em Rocketman. Aqui, ele dá medo com suas risadas maníacas e más intenções.
Outros pontos positivos para o filme são as belíssimas locações na Austrália e a ousada direção do islandês Baltasar Kormákur em locações difíceis e cenas complicadas. No dia seguinte você provavelmente vai se esquecer do filme. Mas passou uma hora e trinta e cinco minutos de aflição e deslumbramento com as paisagens.
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Fonte: Revista Oeste · Por Dagomir Marquezi