O PT intensificou nesta 5ª feira (7.mai.2026) a pressão pela instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso do Banco Master, enquanto há o andamento da Operação Compliance Zero e depois de críticas internas de que o partido errou ao não liderar a ofensiva contra o esquema.  

Em declaração ao Poder360, o líder do governo no Congresso, deputado Paulo Pimenta afirmou que “não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações” e defendeu a criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Congresso e de uma CPI na Câmara.

O líder do partido no Câmara, Pedro Uczai, informou ao Poder360 que apoia a instalação de CPMI ou de uma CPI. O líder assinou o requerimento apresentado pelas deputadas Fernanda Melchionna (Psol) e Heloísa Helena (Psol). Tem assinaturas de 181 deputados e 35 senadores.

O que aconteceu nesta 5ª feira (7.mai) foi a etapa mais sensível politicamente da Operação Compliance Zero até agora: a Polícia Federal mirou o senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), por suspeita de atuar em favor do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas.

O ministro do STF André Mendonça autorizou buscas contra Ciro, o irmão dele e aliados ligados ao caso. Na decisão, Mendonça afirmou que os indícios reunidos mostram que a relação entre Ciro e Vorcaro “extrapola a amizade” e indicam um “arranjo funcional” para obtenção de benefícios mútuos.

REQUERIMENTO INICIAL DA CPI

A fala do PT veio poucos dias depois de o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconhecer que o partido “errou” ao não assinar o requerimento inicial da CPI do Banco Master apresentado pela oposição. Segundo Edinho, a base do governo deveria ter assumido o protagonismo das investigações desde o início.

A bancada petista assinou um requerimento próprio de CPI protocolado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), mas optou por não subscrever o pedido formulado pela oposição, que tinha mais votos.

“O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos”, declarou Pimenta. Segundo o deputado, a nova etapa da operação revelou a “intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’”

Ele citou órgãos como Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência como estruturas que, segundo ele, aparecem “cercadas por operadores da fraude”.

O discurso reforça a estratégia adotada pelo PT de tentar vincular o escândalo ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. 

Em entrevista publicada na semana passada, Edinho afirmou que as operações consideradas fraudulentas foram autorizadas durante a gestão Bolsonaro e disse que foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quem determinou à Polícia Federal aprofundar as investigações.

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Fonte: poder 360 · Por Poder360 ·