A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), realizada nesta quinta-feira, 7, provocou reação cautelosa tanto no centrão quanto no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, aliados do parlamentar evitam antecipar condenações, enquanto o Palácio do Planalto atua para evitar um novo desgaste na relação com o Senado.
Lideranças do centrão ouvidas por Oeste afirmam que a orientação é defender o direito de investigação sem isolar publicamente o senador. A líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), destacou que não se deve “culpar ninguém antes do tempo”.
Interlocutores do bloco relataram que a operação não causou surpresa completa por causa de vazamentos anteriores envolvendo trocas de mensagens atribuídas à investigação.
Segundo apurou Oeste, aliados de Ciro sustentam a tese de que a ação teria caráter retaliatório por parte do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em razão da derrota da indicação de Jorge Messias para a Corte.
A PF encontrou indícios de que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria bancado viagens internacionais de luxo e feito repasses mensais de até R$ 500 mil ao senador em troca da apresentação de emendas de interesse da instituição financeira no Congresso.
O parlamentar foi alvo de busca e apreensão, nesta quinta-feira, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro relator do caso no STF, André Mendonça. A operação investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras que envolve o Banco Master.
Governo Lula adota cautela diante de Ciro
Integrantes da base governista evitam ataques diretos ao presidente do PP por orientação do próprio Lula. A avaliação no Planalto é de que qualquer movimento mais agressivo poderia ampliar o desgaste com o Senado, principalmente depois da rejeição do nome de Messias.
Apesar da cautela, a base está utilizando a operação para pleitear a criação de uma CPI ou CPMI para investigar o Banco Master. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), defendeu, logo depois da operação, a abertura de uma comissão parlamentar para apurar supostas fraudes envolvendo a instituição financeira.
No governo, auxiliares também avaliam que a viagem oficial de Lula aos Estados Unidos, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ajuda a afastar politicamente o presidente da operação realizada contra Ciro Nogueira.
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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana