A Justiça de São Paulo condenou cinco homens que operavam um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC por meio de hotéis e pensões na Cracolândia. O juiz Antônio Carlos Costa Pessoa Martins determinou o confisco de oito estabelecimentos em favor do Estado. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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Os réus receberam penas que variam de 9 a 13 anos de reclusão. Além da prisão, cada condenado deve pagar R$ 1 milhão a título de danos morais coletivos. O magistrado justificou o valor devido à degradação pública e ao medo impostos aos moradores e frequentadores do centro da capital.

Estrutura do crime

As investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) mostraram que os prédios serviam como fachada para ocultar bilhões do tráfico de drogas. Testemunhas protegidas relataram que as hospedarias funcionavam como depósitos de entorpecentes e sedes para o "tribunal do crime". Nesses locais, a facção realizava julgamentos e execuções de desafetos.

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Márcio William dos Santos recebeu a maior pena, 13 anos e seis meses, por lavar R$ 1 milhão na compra de um imóvel na região. Outros condenados, como Vânio Faula de Oliveira, Juarez Faula de Oliveira, José Alves dos Santos e Wilson Mariano da Silva, integravam o núcleo que gerenciava os imóveis para a organização criminosa.

Impacto no centro

O juiz destacou que o grupo utilizava a estrutura hoteleira para receptação de objetos roubados e exploração de ilícitos. A rede totalizava cerca de 70 pensões sob influência de lideranças do tráfico. Segundo a sentença, a ocupação criminosa desvalorizou imóveis vizinhos e criou um "ambiente tenebroso" que impedia o convívio social.

As defesas dos réus pediram a absolvição durante o processo. Os advogados alegaram falta de provas e falhas na denúncia do Ministério Público. O magistrado rejeitou os argumentos e afirmou que o vínculo dos acusados com a facção ficou comprovado pelos depoimentos e evidências de armazenamento de drogas nas unidades.

Depoimentos de testemunhas

Uma testemunha afirmou em juízo que os hotéis não serviam para moradia familiar, mas apenas para criminosos e usuários. Havia andares exclusivos para a guarda de entorpecentes onde a entrada era proibida. Outro relato confirmou que usuários de drogas eram recrutados nesses locais para trabalhar como traficantes da facção.

A rede de hotéis era ligada a Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", preso em agosto de 2024. Embora Moja não seja alvo desta sentença específica, ele é apontado como o principal gerente do esquema na região central. O dinheiro arrecadado nas hospedarias era convertido em lucro para financiar novas remessas de drogas.

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Fonte: Revista Oeste · Por Erich Mafra