A Coreia do Norte alterou sua Constituição para determinar o lançamento imediato de um ataque nuclear retaliatório caso o líder do regime, Kim Jong Un, seja morto ou incapacitado. A informação foi divulgada na última sexta-feira, 8, pelo jornal britânico The Telegraph, com base em um relatório apresentado pelo serviço de inteligência da Coreia do Sul.

Segundo o texto aprovado pela Assembleia Popular Suprema norte-coreana, reunida em março em Pyongyang, a resposta nuclear deverá ocorrer automaticamente se o sistema de comando das forças atômicas do país estiver ameaçado.

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“Se o sistema de comando e controle das forças nucleares do Estado for colocado em perigo por ataques de forças hostis, um ataque nuclear será lançado automática e imediatamente”, afirma a nova cláusula constitucional.

Ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, visita submarino nuclear em estágio avançado de construção | Foto: Divulgação/Korean Central News Agency

A mudança ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais e ganhou destaque diante da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em uma ofensiva israelense realizada em Teerã com apoio dos Estados Unidos, segundo relatos divulgados anteriormente pela imprensa internacional.

O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul informou autoridades do governo nesta semana sobre a atualização constitucional norte-coreana. O novo texto também estabelece procedimentos para retaliação militar caso a liderança do regime seja eliminada em um conflito.

Coreia do Norte intensifica discurso contra EUA e Coreia do Sul

Nos últimos meses, o governo de Kim Jong Un intensificou o discurso contra Seul e Washington. Em pronunciamentos recentes, o líder norte-coreano classificou a Coreia do Sul como o “Estado mais hostil” ao regime comunista e prometeu ampliar a capacidade nuclear do país.

O povo da Coreia do Norte recebendo Kim Jong-un e Vladimir Putin na praça Kim Il-sung (19/1/24) | Foto: Wikimedia Commons

A revisão constitucional integra uma estratégia mais ampla de redefinição política conduzida por Pyongyang. Em alterações anteriores, o regime passou a reconhecer formalmente as duas Coreias como Estados separados e retirou referências à reunificação da península.

A agência Reuters já havia informado que a Coreia do Norte incluiu pela primeira vez uma cláusula territorial em sua Constituição, definindo suas fronteiras em relação ao território sul-coreano.

Kim também elevou o tom contra os Estados Unidos, acusando Washington de praticar “terrorismo de Estado e agressão”. O líder norte-coreano sinalizou ainda que o país poderá assumir uma postura mais ativa em alianças contrárias aos interesses norte-americanos diante da escalada das disputas geopolíticas globais.

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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão