Presidente da Frente Parlamentar Mista pelo Brasil Competitivo, o deputado Julio Lopes (PP-RJ) afirmou ao Poder360 que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa priorizar o projeto que cria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenters). Segundo ele, a falta de prioridade do Planalto tem travado a proposta no Congresso desde fevereiro e deve empurrar a votação para depois do período eleitoral.
O projeto estabelece a suspensão do pagamento de tributos federais na aquisição, no mercado interno ou por importação, de equipamentos e componentes de tecnologia usados em data centers. Leia a íntegra do projeto (PDF – 138 kB). O deputado avalia que o Redata é essencial para equiparar o Brasil a outros países na disputa por grandes projetos de infraestrutura tecnológica.
PERDA DE MERCADO
De acordo com Lopes, a demora da aprovação faz com que outros países concorrentes ocupem espaço no mercado. Ele citou a Argentina como exemplo, afirmando que o país já teria captado mais de US$ 100 bilhões, enquanto o Brasil corre o risco de perder projetos por falta de definição regulatória.
“Argentina já captou investimentos de mais de 100 bilhões que estariam no Brasil, porque é um país muito mais atrativo, tem mais mercado e oferece melhores condições. Enquanto nós não decidirmos, a Argentina e outros países estão se beneficiando da nossa inércia”, declarou.
Lopes afirmou que empresas aguardam a aprovação do projeto para avançar com investimentos. Segundo ele, só no Estado do Rio de Janeiro, o destravamento pode representar até R$ 10 bilhões em aportes.
Uma das companhias que monitoram a tramitação é a Scala Data Centers, que informou ao Poder360 que, com a aprovação do Redata, pode atrair investimentos estimados em até US$ 300 bilhões.
No cenário de pressão pela aprovação, 10 frentes parlamentares e 26 entidades do setor produtivo lançaram na 3ª feira (12.mai.2026) o “Manifesto pela aprovação do Redata e pelo futuro digital do Brasil”. O documento defende, entre outros pontos, a concessão de benefícios a data centers que utilizem fontes de energia não sujeitas à intermitência. Leia na íntegra (727 kb -PDF).
O manifesto afirma que o setor de data centers do Brasil deve receber de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões em novos investimentos nos próximos 4 anos. No mundo, a cifra esperada para o segmento nos próximos anos é de US$ 3 trilhões.
TRAMITAÇÃO TRAVADA
Lopes disse que, apesar da mobilização do setor e de congressistas, o projeto não avançou por não estar entre as prioridades do governo.
O deputado afirmou ter conversado com Lula e solicitado uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar do tema. Segundo ele, o senador Eduardo Gomes (PL-TO) tem atuado para impulsionar a proposta, mas ainda não há previsão de votação no 1º semestre.
Inicialmente, o Redata havia sido instituído pela MP (medida provisória) 1.318/2025, editada pelo governo em setembro de 2025. Para ganhar validade definitiva, o texto teria que ser aprovado pelo Congresso até 25 de fevereiro, mas acabou caducando.
Antes de o texto caducar, o deputado José Guimarães (PT-CE), então líder do governo na Câmara, apresentou o PL 278/2026 para substituir a medida provisória. O objetivo era evitar que investimentos feitos durante a vigência do texto fossem prejudicados. O texto foi aprovado pelos deputados na madrugada de 25 de fevereiro e agora aguarda análise dos senadores.
Este conteúdo é originalmente de poder 360. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
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Fonte: poder 360 · Por Poder360 ·