A posse de Nunes Marques e André Mendonça no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira 12, teve protocolo, discursos e 1,5 mil convidados no plenário da Corte. A verdadeira celebração, no entanto, ocorreu horas depois.

Longe dos holofotes institucionais, a elite política e judicial de Brasília se reuniu às margens do Lago Paranoá para um jantar exclusivo marcado por música ao vivo, charutos, espumantes e relações cultivadas entre taças de cristal.

O convite para a celebração no espaço de eventos Villa Rizza custou R$ 800 por pessoa. Sob iluminação âmbar, arranjos florais monumentais e vista privilegiada para o lago, ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do TSE, advogados, empresários e familiares de autoridades circularam entre mesas reservadas nominalmente para integrantes da cúpula do Judiciário.

Garçons serviam de espumante Chandon, vinho Miolo Sesmarias a drinques como Negroni, Aperol, Moscow Mule e gin tônica enquanto convidados transitavam entre os salões e as áreas externas do espaço. Ao fundo, uma banda ocupava o palco montado para a confraternização.

Entre os presentes estavam o cantor sertanejo Gusttavo Lima e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, que circularam entre ministros, magistrados e empresários ao longo da noite.

Em um dos ambientes do evento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumava charuto (havia das marcas Cohiba Lanceros, de R$ 4 mil, e MonteCristo, de R$ 200) ao lado do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, diante da vista iluminada do Lago Paranoá. Em outro ponto do salão, o ministro André Mendonça comia acompanhado da família, recebendo cumprimentos de convidados.

Também compareceram ao jantar o decano do STF, Gilmar Mendes, acompanhado da namorada, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho Morgana Richa. A advogada Guiomar Mendes, ex-mulher do magistrado, estava entre os presentes. Participaram ainda a ministra Isabel Gallotti e o ministro Raul Araújo, ambos do STJ.

Ao longo da noite, autoridades conversavam em pequenos grupos espalhados pelas varandas e mesas do espaço. Seguranças acompanhavam discretamente a movimentação enquanto garçons serviam espumante e whisky. A poucos metros dali, o lago refletia as luzes da capital federal.

A cena ajudava a traduzir uma característica frequentemente associada a Brasília: a convivência íntima entre os personagens centrais do poder brasileiro. Na capital federal, magistrados, políticos, empresários, artistas e integrantes do alto funcionalismo frequentemente compartilham não apenas agendas institucionais, mas também festas, jantares e círculos sociais.

Do lado de fora, Brasília seguia silenciosa, marcada pelas avenidas largas e pela arquitetura monumental. Dentro do salão, porém, a atmosfera lembrava menos uma capital republicana e mais uma espécie de corte tropical erguida no Cerrado, onde o poder circula entre charutos, espumantes e relações cultivadas longe dos plenários.

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Fonte: Revista Oeste · Por Cristyan Costa