O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não definiu quando fará uma nova indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo integrantes da base governista ouvidos por Oeste, o Palácio do Planalto avalia que o momento político no Senado exige cautela.
Lula, antes, busca reorganizar sua estratégia de articulação política com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para evitar novos prejuízos à tramitação de propostas prioritárias no Congresso, como a PEC da Segurança Pública e o projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
De acordo com aliados do presidente, a tendência é que a escolha de um novo nome para a Corte ocorra apenas depois das eleições. Interlocutores afirmam que Lula mantém a intenção de preencher a vaga aberta no STF, mas entende que uma nova sabatina no Senado exige um ambiente político mais favorável.
Nos bastidores, há pressão de setores do PT para que o petista escolha uma mulher para a vaga. Apesar disso, governistas afirmam que ainda não existe definição sobre possíveis nomes.
Governo Lula busca reaproximação com Senado
A decisão de adiar a indicação ocorre em meio a uma tentativa de reaproximação entre o Planalto e o Senado. Embora aliados do governo tenham afirmado a Oeste que o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, estaria mais “disponível” ao diálogo com Lula, alguns gestos recentes apontam para um cenário ainda de distanciamento.
Na terça-feira 12, por exemplo, houve a ausência do senador amapaense no lançamento do programa federal de combate ao crime organizado e a recusa em aplaudir Jorge Messias durante a posse de Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os contatos entre governistas e Alcolumbre se intensificaram depois da rejeição do nome do AGU ao STF. A derrota levou ministros petistas e parlamentares aliados a ampliarem as conversas com o senador, na tentativa de conter a crise entre o Executivo e o Senado.
Um dos principais articuladores da indicação de Messias, o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tem mantido conversas frequentes tanto com Alcolumbre quanto com Lula e defende uma reconstrução rápida da relação entre o Senado e o Planalto.
Na tentativa de reconstruir pontes, ministros do governo iniciaram uma rodada de reuniões com Alcolumbre. O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, se encontrou com o senador na residência oficial da presidência do Senado. Na sequência, Alcolumbre também conversou com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
As derrotas recentes do governo no Congresso ampliaram dentro do Planalto a percepção de desgaste na relação com o Senado. Entre os episódios que mais impactaram o governo estão a rejeição de Jorge Messias por 42 votos a 34 e a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria.
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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana