A Federação Psol-Rede quer protocolar, nesta quarta-feira, 13, uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), depois da divulgação de um áudio em que o parlamentar aparece tratando com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, sobre recursos destinados ao filme Dark Horse, produção biográfica de Jair Bolsonaro.

Segundo parlamentares da federação, a peça será entregue pessoalmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por deputados do Psol e da Rede no início da noite. A base governista quer que o caso seja investigado por possível quebra de decoro parlamentar.

A representação ocorre depois da divulgação de uma reportagem do The Intercept BR, que mostrou que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o longa-metragem Dark Horse.

O caso provocou reação imediata da base governista. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou ter recebido com “surpresa” a divulgação do conteúdo e disse que o episódio evidencia uma relação de “proximidade” e “intimidade” entre Flávio e Vorcaro.

Crítico de Flávio, o senador petista é citado nas investigações que envolvem o Master. A BK Financeira, empresa ligada à nora de Wagner, recebeu ao menos R$ 11 milhões do banco entre 2022 e 2025. A empresa pertence a Bonnie de Bonilha, casada com Eduardo Sodré, enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia. Segundo informações surgidas durante as apurações, os pagamentos estavam ligados à prospecção de operações de crédito consignado, indicação de convênios e intermediação de negócios financeiros relacionados ao setor de consignados públicos e privados. O advogado Moisés Dantas, sócio da empresa, afirmou que os pagamentos não tinham relação com consultoria política, mas com “prospecção e indicação” de operações financeiras. Wagner negou participação nas negociações.

Flávio nega irregularidades

Em nota, Flávio Bolsonaro negou irregularidades na relação com o ex-dono do Banco Master e disse que discutiu recursos destinados ao financiamento privado do filme.

O senador fluminense declarou que “não ofereceu vantagens em troca” e negou ter intermediado negócios com o governo. Flávio ainda afirmou que não recebeu “dinheiro ou qualquer vantagem”. E destacou que conheceu Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando, segundo ele, “não existiam acusações nem suspeitas públicas”.


Por fim, o filho do ex-presidente defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que sua relação com o ex-banqueiro seria “muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes”.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana