Um contrato assinado na madrugada de 24 de dezembro de 2025 formalizou a tentativa de aquisição conjunta do Banco Master pela gestora árabe Royal Capital e pela brasileira Fictor, mesmo depois da liquidação da instituição pelo Banco Central e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro.
O documento, obtido pelo jornal O Estado de São Paulo, expõe assinaturas digitais de representantes estrangeiros vinculadas a CPFs de terceiros no Brasil e integra uma série de cartas e minutas com promessas de investimento de fundos árabes e russos.
Temer: atuação direta
Entre os articuladores aparece o português Ludgero de Sousa, que afirma representar a Royal Capital e atua como intermediador de negócios no Oriente Médio. Um sócio francês dele teve a assinatura vinculada ao CPF do lutador Renzo Gracie, amigo de integrantes da realeza dos Emirados Árabes.
O contrato nunca produziu efeitos. Dias depois, a Fictor entrou em recuperação judicial alegando retirada de recursos de investidores em meio ao escândalo do Master. A busca por capital estrangeiro teria incluído a atuação direta do ex-presidente Michel Temer (MDB).
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Segundo a reportagem, Vorcaro recorreu ao emedebista para aproximá-lo de investidores árabes. Temer viajou a Abu Dhabi e participou de jantar com o sheik Abdullah Bin Rashid Al Mualla, membro da família real local. Na conversa, o ex-presidente apresentou o Banco Master como oportunidade de entrada no sistema financeiro brasileiro. O sheik chegou a participar de reuniões, mas desistiu do negócio.
A Fictor prometia investir R$ 3 bilhões por metade do banco, enquanto fundos estrangeiros aportariam outros R$ 3 bilhões. Cláusulas contratuais, porém, previam abatimentos caso ativos do Master estivessem inflados ou fossem inexistentes, o que poderia reduzir o valor final da operação a apenas R$ 1.
Mesmo depois da prisão de Vorcaro e da liquidação do banco, intermediários continuaram tentando atrair investidores dos Emirados Árabes, incluindo fundos ligados a membros da realeza e empresários russos. Representantes da Fictor chegaram a se reunir com o Banco Central apresentando cartas de intenção de aporte de até US$ 800 milhões, sem compromisso formal.
A Polícia Federal investiga se a proposta de venda com participação de fundos árabes e a articulação política envolvendo Temer teriam sido utilizadas por Vorcaro para ganhar tempo diante do avanço das investigações e da iminente intervenção no banco.
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Fonte: Revista Oeste · Por Fábio Bouéri