O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 14, que está “chateado” com a decisão da Vale de adquirir navios produzidos na China em vez de embarcações fabricadas no Brasil. Segundo o petista, a escolha prejudica a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico da indústria naval brasileira.
“Não tem sentido a gente fazer esforço em estaleiro brasileiro e que a Vale esteja gerando emprego na China”, declarou Lula durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). O presidente acrescentou que pretende tratar do tema diretamente com o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.
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Lula reconheceu que a produção nacional de navios teria custo mais elevado, mas defendeu o investimento interno como estratégia industrial. “Produzir navios seria mais caro, mas estaríamos trazendo conhecimento tecnológico e mão de obra qualificada”, afirmou.
A agenda ocorreu na unidade da Fafen-BA, cuja retomada das operações integra a carteira de fertilizantes do Novo PAC. O empreendimento reúne investimentos estimados em R$ 5,9 bilhões. A fábrica havia sido hibernada pela Petrobras e voltou a operar em 2023, com retomada da produção em janeiro deste ano.
Também participaram do evento o ministro da Agricultura, André de Paula, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Durante o discurso, Lula voltou a criticar governos anteriores e afirmou que houve tentativa de privatização da Petrobras. Segundo ele, diante da dificuldade de aprovar a venda integral da estatal no Congresso, refinarias e outros ativos teriam sido negociados separadamente.
O presidente disse ainda que a Petrobras deveria recomprar esses ativos, desde que pelos valores considerados adequados pela companhia. “Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas”, afirmou.
Para Lula, governos anteriores foram "vira-latas"
Lula também defendeu o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes e afirmou que o Brasil não pode continuar importando cerca de 90% do insumo consumido pela indústria nacional. Na avaliação do petista, faltou visão estratégica de soberania econômica em governos anteriores, que, segundo ele, tinham uma formação política “de vira-lata”.
O presidente ainda direcionou críticas à privatização da Eletrobras. De acordo com Lula, quando a companhia era estatal, o presidente da empresa recebia cerca de R$ 60 mil mensais, enquanto atualmente os salários da diretoria seriam significativamente superiores.
“Não é verdade que o privado é mais eficiente do que o público, o importante é que temos governo competente e governo traidor da pátria, que não é competente”, declarou.
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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão