O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste domingo, 17, editorial com críticas à condução da política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Estadão afirma que a inflação no Brasil não decorre apenas dos efeitos da guerra no Irã, mas também de medidas fiscais adotadas pelo Palácio do Planalto.

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O conflito no Oriente Médio pressiona os preços globais de energia e alimentos, e o fechamento do Estreito de Ormuz impacta o preço do petróleo e dos fertilizantes, afirma o jornal. Porém, ainda assim, “a manutenção da alta inflacionária por aqui tem menos a ver com a guerra e mais com a farra eleitoreira de Lula”.

Inflação, juros e política fiscal

O texto cita o IPCA de abril, que foi de 0,67% no mês. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,39%, quase chegando ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

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Instituições financeiras passaram a revisar para cima as projeções para a inflação de 2026. Já há estimativas de IPCA acima de 5% no fim do ano. O cenário, segundo o jornal, reduz o espaço para cortes na taxa Selic.

O Estadão sustenta que o governo adota medidas consideradas “populistas e fiscalmente irresponsáveis”. Entre elas, cita a medida provisória que criou subsídio federal de R$ 0,89 por litro de gasolina e de R$ 0,35 por litro de diesel.

“Bastou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmar que a companhia anunciaria 'já, já' um aumento do preço da gasolina, defasado em cerca de 70% em relação ao mercado internacional, para a caneta de Lula ser acionada”, afirma o jornal.

O jornal lembra que o governo petista amplia gastos públicos em um momento de pressão inflacionária e afirma que, “ao despejar dinheiro no mercado, o governo joga ainda mais gasolina na fogueira inflacionária, impedindo que a Selic caia”.

Estadão reconhece efeito da guerra

O editorial reconhece que a guerra no Irã afeta economias em todo o mundo. A inflação nos Estados Unidos ficou em 3,8% em abril, acima da meta de 2% do Federal Reserve.

Entretanto, o jornal argumenta que, no Brasil, o governo ampliou gastos públicos ao longo do mandato e que, diante da crise internacional, a intensificação das medidas fiscais torna os resultados inflacionários mais duros. “Quando a emergência realmente ocorre, como agora, o governo imprevidente gasta ainda mais aquilo que já não tem”, afirma.

O Estadão conclui que o Brasil enfrenta dificuldades adicionais ligadas à política fiscal interna. Os problemas econômicos do país “são criados por aqui mesmo”, finaliza.

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Fonte: Revista Oeste · Por Pâmela Zacarias