O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira,19, que o caso Master também revelou limitações estruturais da autoridade monetária para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro. Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo disse que o BC enfrenta defasagem tecnológica, falta de pessoal e restrições orçamentárias.

Segundo ele, o aumento das atribuições do Banco Central nos últimos anos não foi acompanhado por melhorias na estrutura de fiscalização. “O BC tem uma legislação defasada e oferece mais recursos que outros bancos, como o funcionamento 24/7 do Pix, sem um corpo de funcionários suficiente, o que dificulta a fiscalização efetiva”, declarou.

Galípolo afirmou ainda que o órgão possui atualmente mais instituições financeiras sob supervisão do que servidores disponíveis para acompanhar o setor.

“O Banco Central tem, hoje, mais instituições para fiscalizar do que funcionários. O BC não tem recursos para adotar uma tecnologia mais complexa e segura", disse. "Mas, para além disso, não tem nem coisas básicas como remuneração justa a quem trabalha de madrugada.”

Segundo Galípolo, o “Banco Central vai começar a precisar escolher o que é mais importante, porque não há cobertor para tudo”.

'O BC tem uma legislação defasada e oferece mais recursos que outros bancos', disse Gabriel Galípolo aos senadores' | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Cobranças no Senado

O presidente do BC participaria inicialmente da sessão da CAE em 5 de maio, mas o senador Renan Calheiros (MDB-AL) adiou a audiência depois de Galípolo sofrer um mal-estar.

Pelo regimento, o presidente do BC deve comparecer ao Senado ao menos duas vezes por ano para apresentar relatórios sobre política monetária e desempenho da economia. Desta vez, porém, o Caso Master dominou parte significativa dos questionamentos feitos pelos senadores.

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Renan Calheiros afirmou que ainda existem dúvidas sobre a atuação do Banco Central diante das irregularidades identificadas na instituição financeira. “O Banco Central mandou 23 avisos de irregularidade para o Master e não tomou, ao longo desses anos, nenhuma providência, salvo a intervenção em dezembro de 2025”, declarou.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana