O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, afirmou nesta terça-feira, 19, que a proposta de redução da jornada de trabalho em debate no Congresso poderá gerar um impacto de R$ 50 bilhões aos cofres municipais. Segundo ele, a mudança provocaria “severas consequências” para a administração local.

A declaração ocorreu durante a abertura da 27ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília. O evento reuniu cerca de 16 mil inscritos e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

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No discurso, Ziulkoski afirmou que os municípios concentram o maior contingente de servidores públicos do país, com 8,5 milhões de funcionários, diante de cerca de 800 mil da União. Segundo ele, a eventual redução da carga horária obrigaria as prefeituras a contratar aproximadamente 730 mil novos servidores para manter o nível atual de atendimento à população.

Histórico da jornada semanal no Brasil, em horas efetivamente trabalhadas | Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo

O dirigente municipalista apelou diretamente aos presidentes da Câmara e do Senado para impedir o avanço da proposta. “Se votar, isso será terrível e vai desestruturar a administração municipal”, declarou.

CNM critica transferência de responsabilidade aos municípios

Ziulkoski também criticou projetos ligados à segurança pública que, segundo ele, podem transferir aos municípios responsabilidades relacionadas ao combate às drogas e à construção de presídios por meio das guardas municipais, especialmente em cidades pequenas.

Outro ponto de crítica foi a criação de novos pisos salariais sem compensação financeira da União. O presidente da CNM citou o reajuste do piso do magistério como exemplo.


“O aumento dos professores, por exemplo, foi de 440%, enquanto o aumento do salário mínimo não chegou a 280%", afirmou. "Não somos contra o aumento, mas é preciso repassar os recursos para os municípios.”

De acordo com o dirigente, existem cerca de 300 projetos em tramitação na Câmara e no Senado que ampliam despesas municipais sem previsão de repasses federais correspondentes.

Durante a cerimônia, Ziulkoski também defendeu a retomada, no Supremo Tribunal Federal, do julgamento sobre a redistribuição dos royalties do petróleo e da mineração. “O minério é patrimônio da população brasileira e não é de um ou de outro”, disse.

A programação da Marcha dos Prefeitos segue até quinta-feira, 21, na capital federal.

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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão