Os bastidores das gravações de Dark Horse, longa-metragem focado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, envolveram um clima de tensão na equipe técnica. O ator norte-americano Jim Caviezel, responsável por interpretar o político brasileiro, ativou protocolos rígidos de proteção e exigiu a montagem de uma rota de fuga estratégica por terra, ar e mar para deixar o Brasil caso houvesse necessidade. A apuração detalhada sobre a rotina da produção é do jornal O Globo.

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O estopim para o nível máximo de alerta do astro de Hollywood ocorreu logo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, orientou os cidadãos norte-americanos a saírem da Venezuela imediatamente. Preocupado com a proximidade geográfica e os possíveis desdobramentos na América Latina, Caviezel tentou embarcar de volta para o seu país no mesmo dia. O diretor Cyrus Nowrasteh, no entanto, controlou a situação momentaneamente. Mesmo assim, o artista acabou antecipando o fim de sua estadia em dez dias, deixando cenas complementares para serem rodadas por dublês.

Medo de facada real no centro de São Paulo

Uma das maiores preocupações do ator envolveu a gravação da cena que recriava o atentado à faca sofrido por Jair Bolsonaro em 2018. Caviezel manifestou medo de ser esfaqueado de verdade por algum infiltrado durante as filmagens programadas para o centro da cidade de São Paulo. Por causa disso, segundo o jornal, a equipe de segurança do ator impôs revistas diárias em todos os figurantes e membros do set.

https://twitter.com/BolsonaroSP/status/2056780401079628118

Os cuidados com a segurança gerou desgaste com os profissionais locais. Pelo menos 15 trabalhadores registraram queixas formais no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) para reclamar da revista. O time de segurança também confiscou celulares e instalou leitores de reconhecimento facial no hospital cenográfico montado para o filme.

Susto com violência no Rio

O ator andava escoltado por dois seguranças norte-americanos e dois brasileiros, passava os intervalos isolado dentro de um trailer e utilizava substitutos de marcação até para que a equipe técnica ensaiasse o posicionamento das câmeras antes das cenas.

A apuração de O Globo aponta que o temor do artista com o ambiente brasileiro cresceu logo que ele assistiu ao noticiário de uma operação policial no Rio de Janeiro que terminou com 122 mortos, além de boatos nos bastidores sobre uma suposta invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao estúdio.

Em nota oficial enviada ao jornal, a produtora Go Up Entertainment confirmou que o cronograma precisou de ajustes logísticos e o uso de dublês no final. A empresa justificou que respeitou as ordens da segurança privada do ator, prática que classificou como absolutamente normal em grandes produções de Hollywood que envolvem contextos políticos sensíveis.

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Fonte: Revista Oeste · Por Erich Mafra