O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu nesta quarta-feira, 20, à cerimônia que marcou os cem dias do pacto entre os Três Poderes de enfrentamento à violência contra as mulheres, realizada no Palácio do Planalto. Alcolumbre recebeu convite do governo Lula, mas optou por não ir ao evento.
Em nota enviada a Oeste, a assessoria do senador amapaense afirmou que a ausência ocorreu por motivos pessoais. “O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tinha um compromisso pessoal e por isso não conseguiu comparecer ao evento”, informou.
A solenidade reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, além de ministros e parlamentares.
Em seu discurso, Motta mencionou o presidente do Senado nominalmente e disse esperar continuidade no avanço das propostas sobre proteção às mulheres no Congresso. “Em nome das senadoras, em nome do meu querido amigo, presidente Davi Alcolumbre, temos a certeza de que o Senado, assim como a Câmara tem feito, dará seguimento à aprovação dessas matérias”, afirmou.
Lula também fez um gesto ao Legislativo e elogiou a atuação do Congresso na aprovação de medidas voltadas ao combate à violência contra mulheres.
“A gente reconhecer publicamente o Congresso Nacional, que muitas vezes é muito criticado e poucas vezes elogiado", disse o petista. "De elogiar a rapidez e ousadia de vocês de aprovarem tantas coisas em tão pouco tempo."
Distanciamento político
A ausência de Alcolumbre ocorre em meio a ruídos na relação entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto. O senador também não participou de outro evento do governo na semana passada. Em cerimônia de posse da presidência do Tribunal Superior Eleitoral, Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não interagiram.
Nos bastidores, interlocutores do governo atribuem parte do desgaste ao episódio envolvendo o advogado-geral da União, Jorge Messias. Lula queria ver o nome avançar para uma vaga no Supremo, mas aliados do governo interpretaram a rejeição no Senado como um movimento político direto de Alcolumbre contra o presidente da República.
Nos últimos dias, ministros do governo intensificaram conversas reservadas com Alcolumbre em busca de reconstruir a interlocução entre Executivo e Congresso. O movimento ocorre em um momento em que o governo tenta destravar pautas consideradas prioritárias no Senado, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e projetos ligados à agenda trabalhista.
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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana