A Câmara dos Deputados desistiu de bancar a viagem do diretor-geral da Casa, Guilherme Barbosa Brandão, ao Fórum de Lisboa, evento conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”. O recuo ocorreu depois da repercussão negativa sobre os custos da viagem e do desgaste político em torno do encontro organizado pelo ministro Gilmar Mendes.

Documentos internos mostravam que a Câmara autorizaria cerca de R$ 46 mil em despesas para a ida do servidor a Lisboa. O pacote incluía R$ 34 mil em diárias, R$ 9,6 mil em passagens aéreas e outros valores referentes a embarque e deslocamento.

A Casa afirmou que Guilherme Brandão participaria do fórum como palestrante, mas alegou incompatibilidade de agenda para justificar a desistência. Segundo a Câmara, não haverá pagamento de diárias nem emissão de passagens.

O diretor-geral da Casa Guilherme Barbosa Brandão| Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O Fórum de Lisboa ocorre entre 1º e 3 de junho e reúne integrantes do Judiciário, parlamentares, empresários, advogados e lobistas. O evento é organizado pelo IDP, instituição que tem Gilmar Mendes entre os sócios, além da FGV e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ambiente político amplia desgaste do fórum em Lisboa ‘Gilmarpalooza’

A edição deste ano enfrenta um cenário diferente do registrado em encontros anteriores. O avanço das investigações sobre o caso Banco Master e a pressão por maior transparência nas relações entre autoridades reduziram o interesse de integrantes do Judiciário e da política no evento.

Ministros do Superior Tribunal de Justiça relataram desconforto com a exposição pública causada pelo atual ambiente político. Entre os receios, está a proximidade com personagens citados nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.

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Advogados convidados também afirmaram ter recebido contatos insistentes dos organizadores, apesar da resistência em participar do encontro. O fórum já enfrentava críticas anteriores pelo custeio de viagens e hospedagens de autoridades na Europa.

O debate sobre possíveis conflitos de interesse ganhou força com a proposta de um código de conduta defendido pelo ministro Edson Fachin. A iniciativa busca estabelecer regras mais rígidas para a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal em eventos públicos com empresários, advogados e agentes políticos.

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Fonte: Revista Oeste · Por Victória Batalha