A divulgação de áudios e trocas de mensagens entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a ser vista pelo empresário Pablo Marçal como uma oportunidade política para 2026.

No União Brasil, dirigentes avaliam que o desgaste em torno de Flávio pode abrir espaço para o surgimento de uma nova candidatura à direita. Marçal compartilha dessa leitura.

O vereador paulistano Milton Leite, presidente municipal do União, dá como certa a reversão da inelegibilidade de Marçal, condenado pela Justiça Eleitoral em processos ligados à campanha de 2024. Dentro do partido, a avaliação é que, caso volte a ficar elegível, o empresário poderá disputar desde uma vaga na Câmara até uma candidatura majoritária em 2026.

Líderes do partido afirmam que, numa disputa proporcional, o empresário teria força para atuar como puxador de votos para a Câmara. Em eventual candidatura ao Senado, avaliam que Marçal seria competitivo desde o começo da corrida.

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Integrantes da legenda afirmam também que a presença do deputado federal Guilherme Derrite, do PP, como nome da Federação União-PP para o Senado em São Paulo, empurra Marçal para outro caminho político. Eles avaliam que seria ruim para as legendas lançar candidaturas concorrentes ao Senado dentro do mesmo campo político.

A fragmentação da direita em São Paulo contribui para essa avaliação. Além de Derrite, aparecem como pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo). Se Marçal também entrasse na disputa, haveria forte pulverização de votos na direita paulista.

Nesse contexto, integrantes do União passaram a considerar que uma candidatura presidencial de Marçal pode fazer mais sentido político do que uma corrida ao Senado.

Como o Master trouxe Marçal para o jogo

O escândalo que envolve o Banco Master alterou a estratégia inicial do União. Como o caso atingiu setores ligados tanto à direita quanto à esquerda, aliados de Marçal passaram a considerar que o empresário pode ocupar um espaço de outsider político, distante das candidaturas tradicionais de Brasília.

Dirigentes do União destacam que Marçal reúne atributos considerados estratégicos para uma disputa majoritária, como popularidade digital, capacidade de mobilização, perfil empresarial e comunicação com públicos de diferentes regiões do país. Ex-coach e empresário, Marçal construiu audiência nacional nos últimos anos e mantém forte presença entre eleitores conservadores e empreendedores.

Publicamente, o União Brasil evita tratar da eleição presidencial. Integrantes da direção nacional afirmam que o foco do partido ainda está nas articulações estaduais. Nos bastidores, contudo, a possibilidade de uma candidatura de Marçal não encontra resistência.

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De acordo com aliados, o empresário acompanha o cenário com cautela e não pretende entrar em confronto direto com os bolsonaristas. A avaliação de Marçal é que uma candidatura forte de Flávio inviabilizaria sua entrada na disputa presidencial.

O plano traçado por pessoas próximas ao empresário depende diretamente da evolução do cenário político. Se o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro mantiver competitividade eleitoral, Marçal deverá permanecer fora da corrida. No entanto, se o desgaste provocado pelo caso Master reduzir o espaço político de Flávio, aliados afirmam que Marçal disputará o Palácio do Planalto.

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Fonte: Revista Oeste · Por Edilson Salgueiro