O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), elevou o tom contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que o caso Master ultrapassa uma simples crise financeira. Para o parlamentar, o escândalo revela uma relação política e econômica “visceral” entre o Palácio do Planalto e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado depois da Operação Compliance Zero.
“O caso Banco Master/Biomm desnuda as engrenagens do capitalismo de compadrio brasileiro”, afirmou o relatório assinado por Rogério Marinho.
+ Mendonça autoriza volta de Vorcaro para sala especial da PF
As acusações aparecem na 127ª edição do “Observatório da Oposição”, relatório semanal elaborado pela liderança oposicionista no Senado. O documento afirma que o governo Lula teve participação decisiva em momentos centrais da crise do Master e relaciona diretamente o apoio político dado a Vorcaro ao volume bilionário de recursos públicos destinados à farmacêutica Biomm — empresa ligada ao empresário mineiro.
Segundo o relatório, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) absorveu um rombo estimado em R$ 57,4 bilhões depois da liquidação do Banco Master, enquanto a Biomm recebeu R$ 203 milhões em crédito público via Finep, BNDES e BDMG, além de R$ 133 milhões em aportes via equity e contratos de R$ 140,6 milhões anuais com o Ministério da Saúde para fornecimento de insulina ao SUS por dez anos.
Reunião de Lula e Vorcaro fora da agenda
Um dos principais pontos explorados pela oposição envolve a reunião fora da agenda oficial entre Lula e Vorcaro, realizada em dezembro de 2024, em Brasília, em meio às negociações sobre uma possível venda do Banco Master ao BTG Pactual.
O relatório resgatou a entrevista concedida por Lula à jornalista Daniela Lima, do UOL, em que o presidente admite ter recebido Vorcaro depois da intermediação do ex-ministro Guido Mantega.
“Quando o Guido veio com o Daniel Vorcaro a Brasília e pediu se eu poderia atendê-lo, ele veio conversar comigo”, afirmou Lula, na ocasião. “Eu chamei o Gabriel Galípolo, acho que também chamei o Rui Costa, que é da Bahia e o conhecia.”
Segundo o relatório, Vorcaro teria relatado na reunião que o BTG queria comprar o Banco Master pelo valor simbólico de R$ 1 — juridicamente a compra poderia ser “por R$ 1”, mas economicamente o custo real seria absorver o rombo/passivo da operação.
“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”, teria interpelado o banqueiro no encontro com Lula.
A partir dali, segundo Rogério Marinho, o governo teria passado a atuar politicamente para fortalecer a alternativa de venda do banco ao BRB.
Biomm, SUS e recursos públicos
Outro eixo do relatório envolveu a farmacêutica Biomm, ligada a Vorcaro e inaugurada pessoalmente por Lula em abril de 2024, em Minas Gerais.
Segundo o documento, a empresa recebeu financiamentos públicos, aportes via BNDES e firmou contratos milionários com o Ministério da Saúde para fornecimento de insulina ao SUS. Desde 2024, de acordo com dados citados do Portal da Transparência, a farmacêutica teria recebido R$ 232,6 milhões da pasta.
Leia também: "O fator centrão no caso Master", reportagem de Sarah Peres na Edição 323 da Revista Oeste
“Didaticamente repetimos para facilitar o entendimento: o governo financiou a instalação, garantiu a receita e Lula, pessoalmente, participou da inauguração da indústria de medicamentos de Vorcaro”, afirmou o relatório.
O documento também destacou que, depois do agravamento da crise do Banco Master, o governo teria articulado a entrada do BTG Pactual na Biomm para afastar Vorcaro do empreendimento e reduzir desgastes políticos.
“A operação buscava simultaneamente blindar a Biomm do desgaste provocado pela liquidação do Master e também o governo federal”, analisou Marinho.
Na conclusão, o líder afirmou que o episódio representa o “esgotamento moral e institucional” da política de “campeões nacionais” adotada historicamente por governos petistas.
“O atual governo não apenas fracassa em dissimular sua relação visceral com o escândalo, como transfere indiretamente à sociedade o ônus de sua incúria com a coisa pública”, concluiu.
O post Marinho diz que caso Master expõe ‘capitalismo de compadrio’ no governo Lula apareceu primeiro em Revista Oeste.
Este conteúdo é originalmente de Revista Oeste. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
https://revistaoeste.com/politica/marinho-caso-master-capitalismo-de-compadrio-lula/
Fonte: Revista Oeste · Por Sarah Peres