O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula o envio de uma nova remessa de ajuda humanitária a Cuba em meio ao agravamento da crise na ilha e ao aumento da pressão dos Estados Unidos (EUA) contra o regime cubano.

O plano prevê uma ação conjunta entre Brasil, Espanha e México, coordenada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o objetivo é concentrar o transporte de alimentos e medicamentos em uma operação única para reduzir custos logísticos.

Desde o início de 2026, o Brasil já realizou duas remessas de ajuda humanitária ao país caribenho.

O governo brasileiro, porém, nega qualquer apoio na área energética. Integrada ao mercado financeiro norte-americano, a Petrobras poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos caso fornecesse combustível à ilha.

A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Itamaraty. Segundo o governo, o uso de organismos internacionais também reduz riscos diplomáticos e operacionais ligados ao envio de assistência a Cuba.

Cuba enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história recente | Foto: Reprodução/Flickr

Pressão norte-americana e articulação internacional

Lula, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, discutiram em abril, em Barcelona, o formato conjunto entre Brasil, Espanha e México.

Na ocasião, os três países divulgaram uma declaração conjunta citando preocupação com a situação humanitária em Cuba e defenderam uma resposta coordenada para ampliar a assistência internacional.

Nos bastidores, o governo acompanha o aumento da pressão de Washington sobre Havana. O governo Donald Trump ampliou medidas contra Cuba nas últimas semanas, incluindo ações judiciais envolvendo integrantes do antigo comando político da ilha.

Integrantes do Planalto avaliam que o endurecimento norte-americano amplia a crise econômica cubana e acompanha um padrão semelhante ao adotado anteriormente contra a Venezuela.

Ainda assim, a avaliação interna é que um movimento mais agressivo dos Estados Unidos contra Cuba enfrenta limitações no curto prazo devido às prioridades norte-americanas no Oriente Médio.

O México enfrenta obstáculos semelhantes aos do Brasil em relação ao envio de combustível. A estatal mexicana Pemex também possui exposição ao mercado financeiro americano e poderia enfrentar sanções caso fornecesse petróleo ao regime cubano.

A estratégia adotada pelo governo Lula busca manter o apoio humanitário à ilha sem abrir uma nova frente de tensão econômica ou diplomática com os Estados Unidos.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana