A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) criticou, nesta terça-feira, 26, a proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Durante participação no programa Oeste com Elas, a parlamentar alertou que a medida terá impacto direto sobre pequenas empresas, inflação e emprego.

Segundo Júlia, parte da população acredita que a redução de um dia de trabalho não afetará salários nem custos para empregadores. “Não existe almoço grátis, não existe folga grátis”, declarou. Para a deputada, a proposta é sustentada por um discurso populista e impulsionada por pressão nas redes sociais.

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“Os deputados têm medo de se posicionar, de dizer a verdade, de falar que isso vai gerar um custo”, afirmou. A parlamentar argumentou que mais de 90% dos empregos no país são gerados por pequenas empresas e questionou como esses negócios absorveriam o aumento das despesas trabalhistas.

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manteve o calendário de votação da PEC da Escala 6x1 em plenário, previsto para ocorrer entre maio e junho | Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados

“O cara vai demitir? O cara vai contratar mais? Se contratar mais, o que ele vai fazer? Ele vai passar o preço para o consumidor”, explicou. O resultado, prosseguiu Júlia, seria perda adicional do poder de compra da população de baixa renda.

Ela também criticou a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O Lula se vende como pai dos pobres, mas ele é, na verdade, pai dos bancos”, afirmou. A deputada sustentou que os atuais juros elevados favorecem investidores e pessoas com dinheiro aplicado em instituições financeiras.

Durante a entrevista, a parlamentar direcionou críticas ao relator da proposta, o deputado Léo Prates (Republicanos-BA). Segundo ela, o congressista “vive em outra realidade” e ignora os índices de desemprego e dependência de programas sociais na Bahia. “É uma pauta pré-eleitoreira que o Lula e sua trupe pegaram como tábua de salvação.”

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Júlia Zanatta propôs emenda à PEC do fim da escala 6x1

A deputada afirmou ter sido uma das poucas integrantes da Câmara a questionar publicamente quem arcaria com os custos da mudança. “Quem vai pagar essa conta é o povo trabalhador brasileiro, aquele mais pobre”, declarou.

Julia mencionou ainda críticas dirigidas ao funcionamento do Congresso. Ela comentou a adoção do sistema de votação remota, conhecido como “infoleg”, autorizada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. “Os mesmos que estão propondo o fim da escala 6x1” dispensaram a presença física dos deputados."

Na avaliação da parlamentar, o debate sobre redução da jornada ignora medidas de corte de gastos públicos. “Por que quem propôs o fim da 6x1 não propôs já cortar regalias de políticos, do Poder Judiciário, do STF?”, questionou. Júlia defendeu redução de despesas estatais, diminuição de impostos e desoneração da folha de pagamento.

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A deputada também relatou o andamento da tramitação da proposta na Câmara. Segundo ela, o deputado Maurício Marcon (PL-RS) pediu vista do relatório, o que adiou temporariamente a votação. Júlia afirmou que a base governista tenta acelerar o calendário legislativo para levar o texto ao plenário ainda nesta semana.

Ela declarou ter apresentado duas emendas ao projeto, mas não conseguiu apoio suficiente para protocolá-las. Uma delas previa que acordos coletivos prevalecessem sobre o limite de 40 horas semanais. “Ninguém quis assinar, os deputados estão com medo”, afirmou.

Segundo a parlamentar, a expectativa em Brasília é de maior resistência ao projeto no Senado. Ainda assim, ela acusou o comando da Câmara de acelerar sessões para concluir a votação rapidamente e liberar parlamentares para atividades políticas nos Estados.

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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão