A Rússia intensificou os ataques à Ucrânia nos últimos dias. Entre sábado 23 e domingo 24, realizou um dos maiores bombardeios contra Kiev desde o início da guerra, com cerca de 600 drones e 90 mísseis lançados. Quatro pessoas morreram e pelo menos 100 ficaram feridas, segundo a BBC. Já no início da semana, ameaçou lançar uma nova onda de “ataques sistemáticos” contra a capital ucraniana. A ameaça é tão concreta que o governo russo pediu que cidadãos estrangeiros e diplomatas deixem Kiev “o mais rápido possível”. Também alertou a população para evitar prédios administrativos e militares.

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Segundo Moscou, o bombardeio e as novas ameaças são uma resposta a um ataque, considerado deliberado, da Ucrânia contra um dormitório estudantil na cidade de Starobilsk, na sexta-feira 22. Autoridades russas disseram que 21 pessoas morreram. Tal situação demonstra que a Rússia quer levar a guerra para uma etapa decisiva, depois de meses de negociações que ainda não surtiram efeito. Os alvos desta nova estratégia são “centros de tomada de decisão e postos de comando” e instalações de fabricação de drones na cidade, segundo declarou o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado.

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A Ucrânia definiu as ameaças russas como “nada menos que uma chantagem descarada”. Ao mesmo tempo, o governo de Volodymir Zelensky conclamou os aliados, no caso os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aumentarem a pressão sobre Moscou. O argumento é o de que, com tal alerta para os estrangeiros, o governo do presidente Vladimir Putin confirma que os "bombardeios têm como objetivo, entre outras coisas, intimidar o corpo diplomático estrangeiro”. No comunicado, a Ucrânia acrescenta que os ataques russos “não cessaram praticamente uma única semana” desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, e que a ameaça representada por Moscou “permanece a mesma dos anos e meses anteriores”.

EUA na mediação da guerra entre Rússia e Ucrânia

O acirramento do conflito ocorre em um momento no qual os Estados Unidos se distanciaram do papel de mediador. Neste momento, as negociações entre Washintgon, Kiev e Moscou estão paralisadas, segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ele, porém, afirmou que o governo norte-americano continua disposto a atuar para apressar o fim da guerra.

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Os EUA tentaram atuar como mediadores em diversas ocasiões desde o início da guerra, mas as iniciativas ganharam força especialmente entre 2025 e 2026. Só em 2026, houve pelo menos duas rodadas formais de negociações trilaterais mediadas pelos EUA: uma delas foi em fevereiro de 2026, representantes de EUA, Ucrânia e Rússia participaram de conversas em Abu Dhabi. A outra, dias depois, ocorreu outra rodada de negociações em Genebra, também com mediação norte-americana.

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky