Dezenas de presos políticos na Venezuela estão doentes e enfrentam risco de morte, segundo a ONG Justiça e Processo. A diretora da entidade, a defensora de direitos humanos Theresly Malavé, afirmou que 51 detidos apresentam quadros graves de saúde e dependem de uma resposta imediata das autoridades venezuelanas, revela o El Nacional.

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Nesta quarta-feira, 27, a ativista entregou ao Ministério Público um pedido para que os casos sejam revistos. Ela afirmou que a organização preparou documentação médica detalhada dos presos e pretende encaminhar o material completo em formato digital, com diagnósticos e informações clínicas dos detentos.


Malavé advertiu que mortes podem ocorrer caso não haja providências rápidas por parte do Estado. Ela também criticou anúncios feitos por integrantes do governo sobre supostas liberações em massa de presos políticos, classificando as declarações como enganosas diante da ausência de resultados concretos.

A diretora relatou que promessas anteriores geraram tensão entre familiares e detentos, provocando protestos, greves de fome e episódios de desespero entre mães dos presos. Segundo ela, declarações feitas pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e posteriormente pela presidente interina do país, Delcy Rodríguez, aumentaram a expectativa de solturas que não se concretizaram.

Presos na Venezuela

De acordo com a ONG, ao menos 631 pessoas permanecem presas na Venezuela por razões políticas. Malavé afirmou ainda que o sistema de Justiça venezuelano perdeu o controle institucional e passou a ser utilizado por diferentes setores de poder, incluindo agentes de segurança e grupos políticos.

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Ela declarou que, ao conhecer um preso político, a organização procura identificar quem exerce influência direta sobre sua custódia para avaliar até onde conseguem atuar juridicamente. Já a ONG Foro Penal informou que 39 presos políticos foram libertados nos últimos dias. As solturas ocorreram após Jorge Rodríguez anunciar que cerca de 300 detidos receberiam ordens de excarceramento.

Em 1999, a chegada de Hugo Chávez ao comando da Venezuela abriu um período de desmonte institucional, avanço do chavismo sobre os centros de poder e perseguição contínua contra adversários políticos. A morte de Chávez, em 2013, não interrompeu esse processo.

Sob Nicolás Maduro, o aparato estatal endureceu ainda mais, acompanhado pelo aumento de detenções políticas, repressão a manifestações e sucessivas denúncias internacionais envolvendo violações de direitos humanos. Com o passar dos anos, a Venezuela consolidou sua imagem externa como um dos casos mais graves de desgaste democrático da América Latina.

O cenário político venezuelano sofreu uma ruptura em janeiro de 2026, quando Maduro foi capturado durante uma operação conduzida por forças dos Estados Unidos em Caracas. A ação levou Delcy, até então vice-presidente, a assumir o controle do país de maneira interina.

A mudança no topo do poder, entretanto, não desmontou o sistema de repressão consolidado ao longo da era chavista. Entidades de direitos humanos continuam relatando a existência de presos políticos, detenções sem devido processo legal, intimidação de opositores e abusos atribuídos a estruturas ligadas ao Estado venezuelano. Mesmo após a queda de Maduro, centenas de opositores permaneceram encarcerados.

Ao mesmo tempo, o novo governo venezuelano deixou para trás o confronto permanente com Washington. A administração Donald Trump passou a respaldar Delcy Rodríguez como autoridade provisória e concentrou suas negociações em temas ligados à estabilidade regional e ao petróleo venezuelano, reduzindo a prioridade dada anteriormente às pressões imediatas por abertura democrática.

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky