Os quase quatro anos em que o grupo sul-coreano BTS ficou sem se apresentar apenas serviram para fortalecer a sua imagem musical. Nestes tempos de redes sociais, o BTS se tornou um fenômeno justamente por ir de encontro ao seu público. E cativá-lo em pouco tempo. Desta maneira, depois do retorno em março, a premiação do American Music Awards 2026, realizado no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, na segunda-feira 25, levou o septeto a conquistar o prêmio de Artista do Ano, o principal da cerimônia, definido por voto do público.

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É a segunda vez que o grupo alcança essa categoria, um feito que também já foi conquistado por nomes como Justin Bieber e One Direction. O recorde absoluto, porém, segue com a cantora Taylor Swift, que acumula sete vitórias na história da premiação.

Ao receber o prêmio, RM, líder, rapper, produtor, compositor, falou diretamente ao público do fandom (comunidade) do BTS: “Army, conseguimos novamente", declarou. "É uma grande honra receber este prêmio tão importante, especialmente depois do serviço militar de todos. Este troféu pertence aos fãs. Nosso mais profundo agradecimento ao Army em todo o mundo, que esteve ao nosso lado ao longo destes 13 anos”, declarou o líder do grupo, ativo desde 2013.

O grupo ainda venceu nas categorias Canção do Verão, com Swim e Melhor Artista Masculino de K-pop. O total histórico do BTS é de 14 American Music Awards. Entre grupos e duplas, o conjunto ocupa o segundo lugar em número de prêmios, atrás apenas da banda country Alabama.

A estratégia de divulgação do grupo foi certeira. O crescimento global foi fortemente impulsionado pelas redes sociais. Saber lidar com a linguagem e os hábitos deste público foi o caminho para o atual sucesso. Em vez de depender apenas de TV e mídia tradicional, o BTS construiu sua expansão principalmente via YouTube, Twitter/X e plataformas digitais.

Tudo por meio de conteúdos como bastidores (Bangtan Bombs), performances e mensagens pessoais, que criaram proximidade constante com os fãs. Esse contato direto reduziu a distância entre artista e público e acelerou a internacionalização.

Em seguida, está o tal fandom global, conhecido como Army (exército). Foi outro elemento com papel estrutural nesse processo. O fandom não atuou apenas como audiência, mas como agente ativo: tradução de conteúdos em tempo real, campanhas digitais, impulsionamento de hashtags e difusão orgânica em escala global. Esse ecossistema transformou o crescimento do grupo em algo distribuído e contínuo. Por fim, o estilo eclético e melódico das músicas também encanta, ao misturar k-pop, hip-hop e outras correntes, que incluem o R&B.

BTS manteve o sucesso mesmo com parada

A parada para o exército, neste sentido, serviu também para dar ao grupo a imagem de seriedade, responsabilidade e compromisso com valores. Encaixou-se às diretrizes do país, que se tornaram uma espécie de cartão postal da Coreia do Sul e foram abraçadas pela comunidade internacional.

O sucesso do grupo levou, é verdade, à mudança da legislação do país. Até 2020, todos os astros precisavam cumprir o serviço militar, nem que fosse de maneira básica, até os 28 anos. Foi o caso do ídolo do futebol, em 2018, Son Heung-min, que permaneceu em treinamento militar por três semanas, sem comprometer sua temporada no Tottenham.

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Com o BTS, algo semelhante ocorreu, mas já sob uma nova legislação, conhecida como Lei BTS, de 2020. Por ela, astros da cultura pop passaram a poder adiar o serviço militar até os 30 anos. Quando os membros do grupo chegaram a essa idade, precisaram, em sequência, cumprir o serviço, o que interrompeu as performances do BTS.

No retorno, não precisaram de muito tempo para chegar ao topo. Disputaram prêmios em uma edição que teve um equilíbrio incomum. Sete artistas receberam três prêmios cada, incluindo Bruno Mars, Cardi B, KATSEYE, Sabrina Carpenter, HUNTR/X e Sombr. A ausência de prêmios para Taylor Swift, que liderava as indicações com oito nomeações foi a maior surpresa.

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky