A influenciadora digital Deolane Bezerra dos Santos permaneceu calada e negou-se a prestar depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira, 27. O interrogatório ocorreu dentro da Penitenciária de Tupi Paulista, no interior paulista, onde a advogada cumpre prisão preventiva. Os investigadores apuram o envolvimento da famosa em um esquema de lavagem de capitais que movimentou R$ 40 milhões para a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A opção pelo silêncio partiu de uma recomendação direta da irmã e defensora da presa, Daniele Bezerra. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a manobra jurídica surpreendeu a equipe policial porque a própria influenciadora vinha cobrando publicamente uma chance para se defender das acusações de ligação com o crime organizado.

Contradição entre discursos e atitudes

Os delegados Edmar Rogério Dias Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão formularam uma lista de questionamentos, mas saíram do presídio sem nenhuma resposta. A recusa em falar contraria uma carta escrita à mão por Deolane e divulgada pela família nas redes sociais na terça-feira, 26. No texto, a detenta afirmava que nunca foi criminosa e reclamava por nunca ter sido intimada para se explicar antes de ser alvo de uma busca com armas pesadas em sua residência.

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Os responsáveis pelo inquérito da Operação Vérnix avaliam que a postura na audiência desidrata a versão de perseguição orquestrada. Para as autoridades, Deolane teve a oportunidade de rebater as provas técnicas que apontam relações financeiras estreitas entre as suas empresas e o chefe máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Empresas de fachada e dinheiro do tráfico

Os policiais paulistas buscam esclarecer a origem do dinheiro que transitou pelas contas da celebridade da internet. O Ministério Público suspeita que o montante de R$ 40 milhões saiu dos cofres de uma empresa de ônibus de Presidente Venceslau. O negócio de transporte funcionava como fachada para ocultar os lucros obtidos com o comércio internacional de entorpecentes pela quadrilha.

A investigação também mapeou uma rede suspeita composta por 35 pessoas jurídicas registradas em nome de Deolane Bezerra. Os agentes descobriram que todas as firmas compartilhavam o mesmo endereço comercial, localizado em um conjunto habitacional popular no município de Martinópolis. A polícia mantém a análise dos livros contábeis e dos documentos fiscais apreendidos com o grupo.

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Fonte: Revista Oeste · Por Erich Mafra