O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira, 28, que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode servir de “pretexto para intervenção”.

A declaração ocorreu poucas horas depois de o Departamento de Estado norte-americano anunciar que as duas facções passarão a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho.

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Em nota enviada ao portal Metrópoles, Amorim afirmou que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional, principalmente em temas ligados à lavagem de dinheiro e contrabando de armas. “Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda”, declarou.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a medida, que passa a valer a partir de 5 de junho | Foto: Reprodução/Facebook Marco Rubio

O assessor de Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que equiparar organizações criminosas ao terrorismo “não ajuda” no enfrentamento ao crime.

Mais cedo, durante discurso no Fórum Internacional de Segurança da Rússia, Amorim declarou que compreender as motivações das organizações criminosas seria fundamental para garantir eficácia no combate.

Governo Lula resiste à medida dos EUA

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão dos Estados Unidos pode abrir precedente para atuação norte-americana em território nacional.

Segundo diplomatas brasileiros, a classificação das facções como grupos terroristas amplia instrumentos jurídicos usados por Washington em ações internacionais ligadas à segurança.

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A medida anunciada pelos EUA coloca PCC e CV na mesma lista de grupos como Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico.

O atual governo considera Amorim um dos principais formuladores de sua política externa. Ex-ministro das Relações Exteriores nos mandatos anteriores de Lula, ele acompanha agendas diplomáticas na Rússia nesta semana.

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Fonte: Revista Oeste · Por Victória Batalha