A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas deve ampliar a pressão internacional sobre as facções e pode produzir efeitos que vão além da segurança pública, com reflexos também no ambiente econômico e institucional do Brasil.

O enquadramento passa a valer em 5 de junho e permite às autoridades americanas aplicar medidas mais duras contra integrantes e redes associadas aos grupos criminosos, incluindo bloqueio de ativos, sanções financeiras e rastreamento de movimentações internacionais.

EUA: cerco internacional contra os “novo terroristas” 

Na prática, a tendência é de maior dificuldade para a circulação de recursos ligados ao crime organizado. Com mais controle sobre transações e cooperação entre países, as facções passam a enfrentar obstáculos maiores para financiar operações, movimentar dinheiro e manter redes de apoio fora do território brasileiro.

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Ao anunciar a medida, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington continuará usando “todas as ferramentas disponíveis” para interromper fontes de financiamento do narcotráfico e ampliar o combate a grupos violentos. A declaração reforça a expectativa de um cerco internacional mais intenso às estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

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A expectativa é que o endurecimento também ajude a reduzir custos sociais gerados pela violência e pela atuação do crime organizado. O avanço das facções impacta diretamente despesas públicas com segurança, sistema prisional e combate ao narcotráfico, além de provocar prejuízos à população em regiões afetadas pela criminalidade.

Outro efeito apontado é a possibilidade de melhora no ambiente de negócios. O aumento da pressão internacional contra as facções tende a fortalecer a percepção de segurança institucional e pode contribuir para um cenário mais previsível para investidores, sobretudo em setores que dependem de estabilidade e confiança jurídica.

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Em entrevista à BandNews TV, o professor de Direito Internacional Daniel Toledo afirmou que a classificação abre um “leque de possibilidades” para enfrentar as facções e destacou que a medida pode permitir à inteligência americana identificar lideranças, bloquear bens e restringir o acesso de integrantes ao sistema financeiro internacional.

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol afirmou, em seu perfil nas redes sociais, que a medida americana não é simbólica. “Ela permite asfixia financeira contra o crime organizado, obriga bancos a redobrar cuidados sob risco de sanções e criminaliza quem oferece apoio material às facções. Na prática, mais inteligência compartilhada, mais ferramentas para combater quem aterroriza o cidadão brasileiro todos os dias. Bom para o trabalhador, péssimo para o bandido”.

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Fonte: Revista Oeste · Por Fábio Bouéri