Em votação realizada na noite desta sexta-feira, 29, por 370 votos a 324, os estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve deflagrada em abril. A paralisação interrompeu as aulas na Faculdade do Largo de São Francisco, no centro da capital paulista, em meio a reivindicações relacionadas a permanência estudantil, estrutura física da unidade e políticas afirmativas.

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A greve começou depois de uma assembleia organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, realizada em 23 de abril, quando os estudantes aprovaram a paralisação por 902 votos favoráveis e 459 contrários. As aulas foram interrompidas no dia seguinte. Entre as reivindicações do movimento estavam melhorias no refeitório universitário e nas instalações do prédio, aumento do benefício de permanência estudantil para o valor equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1,8 mil, além da ampliação de bolsas acadêmicas e melhor implementação das ações afirmativas.

No começo do movimento, estudantes apresentaram à diretoria da faculdade um relatório apontando problemas estruturais, como “carteiras quebradas, goteiras, fios expostos, mofo e buracos nas paredes, inclusive no salão nobre”. Em resposta, a diretora da Faculdade de Direito, Ana Elisa Liberatore Bechara, afirmou que a gestão mantinha “postura de permanente diálogo e mobilização” para buscar soluções, com “escuta ativa dos estudantes”.

Faixa na escadaria da Sao Francisco, bloqueada com piquete formado por cadeiras | Foto: Tauany Cattan/Revista Oeste

O principal ponto de impasse ao longo das negociações envolveu o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, voltado a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A reitoria propôs reajuste anual com base no índice de inflação da cidade de São Paulo. Segundo dados apresentados pela universidade, o auxílio integral de R$ 885 teria aumento aproximado de R$ 31, passando para R$ 912. Os estudantes, por sua vez, defendiam reajuste próximo ao salário mínimo paulista.

Além da questão financeira, a USP apresentou propostas relacionadas ao funcionamento dos restaurantes universitários, como a criação de grupos para avaliar a qualidade do serviço, contratação de novos funcionários e ampliação da oferta de refeições. A universidade também sugeriu grupos de trabalho para discutir cotas voltadas a pessoas trans e indígenas nos processos seletivos, além de outras pautas estudantis ligadas à permanência e uso de espaços acadêmicos.

Greve na USP teve invasão da reitoria e operação policial

Durante o período de paralisação, o movimento estudantil ampliou os protestos. Em 7 de maio, estudantes invadiram o prédio da reitoria da USP, na zona oeste da capital. Segundo relatos dos manifestantes, a invasão buscava pressionar a administração da universidade a retomar negociações encerradas dias antes.

Três dias depois, durante a madrugada, a Polícia Militar desocupou o prédio. A operação começou por volta das 4h15 e mobilizou cerca de 35 policiais. Quatro estudantes foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial, na Lapa. Manifestantes afirmaram que houve uso de “bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes”.

Durante a greve, que durou 35 dias, atividades de pós-graduação, bancas de defesa, consultas à biblioteca e eventos previamente programados continuaram ocorrendo, segundo a direção da faculdade. Já as disciplinas da graduação permaneceram suspensas. Em comunicado divulgado no período, Ana Elisa afirmou que havia “inegáveis prejuízos advindos da referida paralisação” e acrescentou: “ameaças, hostilidades e ataques a alunos, funcionários ou docentes não são toleráveis e não serão admitidos”.

Ao longo das semanas, o Centro Acadêmico organizou uma programação paralela durante os dias sem aula, incluindo rodas de conversa, exibição de filmes, campeonatos de pebolim e xadrez, além de assembleias estudantis. Com o encerramento da greve aprovado nesta sexta-feira, a expectativa é pela retomada das atividades letivas na Faculdade de Direito da USP, depois de mais de um mês de paralisação.

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Fonte: Revista Oeste · Por Tauany Cattan