A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos redesenhou o debate para as eleições deste ano. A decisão do Departamento de Estado americano autoriza o congelamento de bens, a caça internacional aos chefões do tráfico e a punição a bancos que aceitarem recursos ocultos dessas quadrilhas. A medida entra em vigor em 5 de junho deste ano.
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O movimento em Washington nasceu de uma articulação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL) com a Casa Branca. Enquanto os pré-candidatos da oposição, incluindo o parlamentar carioca, celebraram o sufoco financeiro internacional contra o crime organizado, o Palácio do Planalto defendeu a existência de uma suposta soberania sobre as áreas onde as facções atuam.
Flávio Bolsonaro (PL)
O senador do PL destacou o sucesso de sua viagem aos Estados Unidos e confrontou o histórico de leniência das gestões petistas com a criminalidade. "Enquanto o Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor de CV e PCC, eu fui trabalhar para que eles fossem tratados como terroristas, que é o que eles são", disse o pré-candidato. "Um governo que não tem controle sobre o seu próprio território e não controla nem as cadeias é porque é conivente com o crime organizado."
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente da República minimizou a alta periculosidade das duas maiores facções do país e criticou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. "Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção", disse em um evento. "Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden... e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá."
Ronaldo Caiado (PSD)
O ex-governador de Goiás rebateu o discurso oficial do governo federal e denunciou o avanço das organizações criminosas sobre as fronteiras e as riquezas do território brasileiro. "Que soberania tem 50 milhões de brasileiros que vivem sob o comando do 'Estado do crime'?", questionou Caiado durante evento. "Que soberania tem a Amazônia brasileira, que é comandada pelo narcotráfico mexicano, venezuelano e colombiano?"
Romeu Zema (Novo)
Já o ex-governador de Minas Gerais afirmou que o Palácio do Planalto falhou ao perder a mão do monopólio da força para os bandidos. "Quem ameaça a nossa soberania é exatamente o PCC e o Comando Vermelho", disse em vídeo publicado nas redes sociais. "Eles dominam territórios dentro do Brasil. Lá quem manda são eles, não o governo. Nossa soberania não está ameaçada. Ela foi roubada."
Zema ainda criticou Lula, afirmando que o atual presidente "nunca fez nada a respeito" e "só passa pano para bandido". Também elogiou a atuação de Flávio no encontro com o presidente dos EUA.
Renan Santos (Missão)
O pré-candidato do partido Missão destacou as forças de segurança brasileiras e defendeu a independência das corporações nacionais para aniquilar o tráfico. "Americano nenhum vai matar nossos bandidos. Quem vai matar seremos nós", publicou nas redes sociais.
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Fonte: Revista Oeste · Por Erich Mafra