A empresária investigada por torturar e matar animais, com objetivo de produzir e vender vídeos de cunho sexual na internet foi colocada em liberdade poucas horas depois de ser presa pela Polícia Civil de São Paulo.
A soltura de Daiana Schuinsekel de Almeida provocou indignação entre protetores, ativistas e entidades da causa animal por ocorrer semanas depois de o governo paulista anunciar o endurecimento das punições administrativas para casos de crueldade contra animais.
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O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações. Segundo as investigações, a mulher produzia e comercializava vídeos de extrema violência contra animais para consumidores clandestinos, inclusive no exterior.
Coelhos, gatos e pintinhos eram submetidos a sessões de tortura e mortos durante as gravações, que posteriormente eram vendidas em plataformas e comunidades restritas na internet.
A libertação ocorreu em um momento em que o governo de São Paulo tenta reforçar o combate aos maus-tratos. Neste mês, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou um decreto que amplia o rigor das penalidades administrativas, com multas que podem chegar a R$ 50 mil por animal vítima em situações de crueldade extrema, sofrimento intenso, abandono ou reincidência.
Apesar do endurecimento das regras, a suspeita deixou a delegacia no mesmo dia da operação. Para representantes da causa animal, a situação enfraquece a mensagem de tolerância zero anunciada pelo governo e amplia a sensação de impunidade em um dos casos mais chocantes de violência contra animais registrados nos últimos anos.
Entenda o caso
A empresária Daiana Schuinsekel de Almeida confessou à polícia ter produzido vídeos de zoosadismo — prática que associa violência contra animais à excitação sexual. Em depoimento, ela afirmou que gravou os conteúdos entre 2020 e 2021 e declarou estar arrependida de ter atuado nesse mercado.
Segundo a Polícia Civil, os vídeos eram vendidos para comunidades especializadas na Europa por valores entre 20 e 50 euros, dependendo do conteúdo.
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A investigação teve início depois de uma denúncia feita por uma ONG de proteção animal da Bulgária à Polícia Federal brasileira. O caso foi repassado à Polícia Civil de São Paulo, que identificou a suspeita e realizou a operação no bairro da Bela Vista, região central da capital.
Durante as buscas, os investigadores apreenderam os sapatos que teriam sido utilizados nas gravações. A empresária também entregou senhas de celulares e computadores para auxiliar na apuração.
Como não houve flagrante, Daiana foi liberada após prestar depoimento. Ela responderá em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos. A Polícia Civil continua investigando o caso e busca identificar outros envolvidos na rede de produção e comercialização dos vídeos, além de eventuais compradores no exterior.
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Fonte: Revista Oeste · Por Sarah Peres