O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) aparecem no centro da maior parte das ações da Polícia Federal (PF) contra o crime organizado no Brasil, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 1º.
Os dados mostram que 88% das mais de duas mil prisões realizadas pela corporação desde 2022 envolveram integrantes das duas facções.
Embora os inquéritos da PF alcancem mais de 20 organizações criminosas e duas milícias, documentos obtidos pela emissora de TV GloboNews revelam que PCC e CV concentram quase 90% das prisões realizadas pela corporação desde 2022.
Segundo o levantamento, o tráfico de drogas segue como a principal atividade das facções criminosas, presente em 81% das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
No entanto, as investigações da PF não se limitam ao tráfico. Os inquéritos também envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, crimes financeiros e delitos ambientais praticados pelas organizações criminosas.
A expansão territorial das organizações criminosas também aparece nos números. Mais da metade das prisões (58%) envolveu criminosos com atuação em mais de um estado.
Segurança pública no centro do debate
A segurança pública se tornou uma das principais preocupações dos brasileiros e passou a impactar diretamente a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em busca de minimizar o impacto negativo, o Palácio do Planalto lançou, em fevereiro, o programa Brasil contra o Crime Organizado, apresentado como uma das principais apostas da gestão petista para enfrentar o problema.
A iniciativa prevê investimento direto de R$ 1 bilhão no Orçamento de 2026, além da oferta de R$ 10 bilhões em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para Estados que aderirem ao programa.
O governo estruturou o pacote por meio de um decreto e quatro portarias. As medidas também regulamentam dispositivos da chamada Lei Antifacção.
PEC de segurança pública enfrenta resistência no Senado
Paralelamente, Lula tenta avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, elaborada pelo governo para ampliar a coordenação da União no combate ao crime organizado e fortalecer a integração entre as forças de segurança.
O texto, no entanto, ainda não foi pautado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Integrantes do governo atribuem a demora para análise da PEC a divergências políticas acumuladas entre o senador e o Palácio do Planalto.
A proposta também enfrenta resistência de parlamentares e governadores da oposição, que enxergam uma possível interferência federal em competências hoje exercidas pelos estados na área da segurança pública.
Classificação do PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA
No mesmo sentido, o governo dos Estados Unidos classificou, na última quinta-feira, 28, o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A medida contrasta com o entendimento do governo brasileiro, que afirma que as facções atuam com objetivos essencialmente econômicos e financeiros, sem motivações ideológicas típicas de grupos terroristas.
A decisão norte-americana ocorreu na esteira de uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O senador fluminense defendeu que as facções brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas.
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
O post PCC e Comando Vermelho respondem por 88% das prisões apareceu primeiro em Revista Oeste.
Este conteúdo é originalmente de Revista Oeste. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
https://revistaoeste.com/brasil/pcc-e-comando-vermelho-respondem-por-88-das-prisoes/
Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana