A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue gradualmente a escala 6x1 chega ao Senado sob a avaliação, compartilhada por governistas, integrantes do centrão e até pela oposição, de que votar contra a medida pode custar caro nas urnas.

A percepção ganhou força depois da aprovação com ampla maioria do texto na Câmara dos Deputados, na quarta-feira 27.

Nos bastidores, líderes políticos ouvidos por Oeste afirmam que o amplo apoio popular à medida reduziu o espaço para resistência na Casa, especialmente diante da proximidade das eleições de 2026.

Para aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta ultrapassou a esfera de interesse do Planalto e passou a ser vista por parlamentares como uma pauta de forte apelo eleitoral.

Um senador do centrão resumiu o assunto ao afirmar que é muito difícil alguém querer carregar o desgaste de votar contra uma medida que, na percepção popular, melhora a vida do trabalhador.

Outro parlamentar da mesma ala classificou o Senado como uma Casa sensível à pressão da opinião pública e afirmou que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), terá dificuldade para frear o avanço da proposta.

O cálculo político leva em conta um fator decisivo: em 2026, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa. A expectativa é que mais da metade dos atuais senadores tente a reeleição.

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Pré-campanha reduz espaço para resistência à PEC

O ambiente eleitoral já influencia a rotina da Casa. Na avaliação de alguns parlamentares, também deve impactar o debate sobre a PEC.

Em entrevista a Oeste, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o Senado atravessa um período de esvaziamento provocado pelas articulações políticas nos Estados. “Esta semana o Senado está semipresencial", disse. "Por quê? Porque está muito clima de pré-campanha. Você acha que no semipresencial dá para discutir uma matéria dessa? Não.” Apesar das ressalvas sobre o momento político, Damares acredita que a PEC deverá avançar na Casa.

O senador Hamilton Mourão também prevê dificuldades para barrar a proposta, mas avalia que a discussão ocorreu de forma precipitada. Segundo o parlamentar, a PEC é “um tema muito mal trabalhado, visivelmente em clima eleitoreiro e que, da forma como está, irá causar grandes problemas para uma economia manca”.

Para o senador, caberá à oposição tentar modificar o texto durante a tramitação. “A oposição terá de ser propositiva e buscar fazer desse limão uma limonada”, afirmou.

Enquanto oposicionistas discutem mudanças, integrantes da articulação política do governo trabalham para preservar o acordo fechado entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A expectativa no Planalto é que o Senado mantenha os principais pontos do texto aprovado pelos deputados. A avaliação no governo é que, para muitos senadores, rejeitar a proposta ou impor mudanças que atrasem sua tramitação significaria assumir um desgaste político difícil de administrar a pouco mais de um ano da campanha pela renovação de dois terços da Casa.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana