O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à recomendação dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras e classificou a medida como “injusta”, “descabida” e sem fundamento.

Em entrevista nesta terça-feira, 2, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil vai intensificar as negociações para impedir que a proposta avance e criticou o que chamou de “falsos patriotas” e “sabotadores” que colocariam interesses eleitorais acima dos interesses nacionais.

Segundo Alckmin, a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ignora dados sobre comércio, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento e tarifas praticadas pelos dois países. O vice-presidente também afirmou que o Pix está fora de qualquer negociação e classificou o sistema de pagamentos como um patrimônio nacional e símbolo da soberania financeira brasileira.

Governo Lula rebate críticas dos Estados Unidos

O presidente dos EUA, Donald Trump: novo tarifaço é criticado por governo Lula | Foto: Reprodução/X

Entre os argumentos apresentados pelo governo brasileiro está o superávit comercial de US$ 40 bilhões obtido pelos Estados Unidos no comércio de bens e serviços com o Brasil. Alckmin também destacou que oito dos dez produtos mais exportados pelos norte-americanos para o mercado brasileiro entram no país com tarifa zero.

O governo contestou ainda as críticas sobre propriedade intelectual, afirmando que empresas americanas concentram cerca de 30% das patentes registradas no Brasil. Na área ambiental, Alckmin ressaltou a redução superior a 50% do desmatamento na Amazônia e reafirmou a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Pix é o maior símbolo da soberania financeira brasileira e acusou a família Bolsonaro de "atuar contra o sistema ao apoiar medidas defendidas por setores do governo norte-americano".

Segundo Durigan, o mecanismo de pagamentos instantâneos não será incluído em negociações com os Estados Unidos. O ministro também argumentou que a ferramenta é gratuita, democrática e tem servido de modelo para outros países.

Tarifas podem atingir setores industriais

De acordo com o governo, cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficariam expostas às novas tarifas caso a recomendação do USTR seja implementada.

Os setores mais afetados seriam os de máquinas e equipamentos, plásticos, produtos de madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados. O governo pretende mobilizar empresas brasileiras e americanas instaladas no país para reforçar a defesa dos interesses nacionais durante o período de consulta pública, que termina em julho.

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Fonte: Revista Oeste · Por Rachel Díaz